Hoje Tiktoker profissional, Silvia Campos já foi modelo em Vilhena e explicou a estratégia por trás dos vídeos que produziu
 
Até para os padrões da avenida Paulista a cena foi surpreendente. Em um vestido mais apertado que chapéu novo, salto 15, cabelão, maquiagem e carão de modelo, a loira desfila pela calçada erguendo acima da cabeça um cartaz: “Preciso de dinheiro para comprar um Porsche”. A mensagem atrai curiosos, selfies, assobios do trânsito, elogios, conversinhas de canto, olhares dos mais variados e, claro, dinheiro.
 
Autora da mensagem, a ex-modelo vilhenense Silvia Campos, hoje tiktoker profissional em São Paulo, explica que a ação nas ruas da maior cidade do país deu certo e conseguiu chegar a seu objetivo. Todo o movimento foi filmado e publicado em suas redes sociais. “A intenção dos vídeos é chamar a atenção das pessoas e quebrar padrões, gerar engajamento. Isso funcionou bem. Fez com que as pessoas me seguissem e vissem meu conteúdo real, que é meu trabalho com treinamentos, mentorias e lives no TikTok”, explica.
 
Como a estratégia deu certo, Silvia publicou cinco vídeos em situações semelhantes. Além de pedir o Porsche, pediu também bolsas da Prada e Gucci, um iPhone 15 e um marido milionário. Somente no TikTok esses vídeos renderam mais de 4 milhões de visualizações, sendo o da Gucci o mais famoso: só ele já soma mais de 2,5 milhões. Todos aglutinam também cerca de 2,5 mil comentários. Também publicados no Instagram, os vídeos por lá somam pouco mais de 270 mil visualizações e 800 comentários.
 
“No TikTok a galera achou muito engraçado, mulheres falaram que acharam criativo. Foi um retorno bem positivo no TikTok. Lá viralizou bem mais e muita gente comentou que era algo sincero e honesto. Alguns disseram também que eu não estava enganando ninguém por pedir o que eu queria, me dando os parabéns. Já no Instagram recebi muitos comentários negativos. Fizeram comentários depreciativos e até me chamaram de prostituta”, explica.
 
Assistindo aos vídeos, é possível notar que tanto homens quanto mulheres abordam Silvia durante suas “caminhadas impactantes”. Alguns fazem pix, outros tiram fotos juntos, mais alguns dão dinheiro em nota e os mais tímidos apenas filmam à distância. Evidentemente, os olhares desdenhosos também aconteceram. Analisando essa visão pejorativa de alguns sobre a situação, Silvia identificou sinais de preconceito e machismo.
 
“O que eu vejo é que tem muito preconceito. Como se não pudessem ver uma mulher bonita que já acham que ela tem que vender o corpo. Alguns falaram pra eu ir trabalhar no OnlyFans [plataforma de conteúdo adulto, onde mulheres e homens vendem fotos nuas]. O que tem a ver eu levantar um cartaz com isso? Se eu trabalhasse nessa plataforma, não estaria com cartaz na rua. Então, as pessoas são muito depreciativas, colocam a mulher numa posição de venda do corpo sem necessidade, julgam demais, uma coisa não tem nada a ver com a outra”, comenta.
 
No TikTok a produtora de conteúdo digital já angaria 65,7 mil seguidores e quase 400 mil curtidas em seus vídeos. No Instagram são 38,8 mil seguidores. Seu sucesso nas redes, inclusive, virou negócio. Hoje é dona da Agência Butterfly, que oferece “suporte e conhecimento que farão você se destacar no meio de tantas pessoas”, promovendo ainda “workshops, treinamentos, aulas de inglês, suporte e bonificações”. Para promover a iniciativa, Silvia conduz também o podcast Butterfly Pod, onde entrevista outros produtores de conteúdo. Em uma delas, a vilhenense comenta o que conseguiu na internet em seu primeiro ano.
 
“Em menos de um ano de lives [transmissões ao vivo] eu dei uma casa para minha mãe. Muita gente passa o dedo na tela do celular o dia inteiro e não tem ideia da ferramenta valiosíssima que tem na mão. O TikTok muda a vida das pessoas. Às vezes estão em trabalho pesado, sofrendo e a internet está aí, disponível, de graça. Quando comecei não tinha ninguém me assistindo. Depois começaram a me imitar e copiar meu nome. Para esse crescimento acontecer é preciso ter preparação”, garante ela.