Parceria como arranjador e produtor fonográfico continuou: relembre matéria de 2009 da Folha sobre o caso
 
Levantamento da Folha do Sul revela que Vilhena tem forte ligação com a carreira de João Carreiro, da antiga dupla sertaneja João Carreiro & Capataz, morto nesta semana após cirurgia cardíaca mal-sucedida. Isso porque boa parte dos sucessos nacionais dos dois tiveram arranjo ou produção fonográfica do vilhenense Leonardo Garcia dos Reis. A reportagem entrou em contato com a irmã de Capataz, esposa de Leonardo, e confirmou que ele também foi empresário dos cantores em seu auge, entre 2002 e 2013. Emocionado pela morte precoce de Carreiro, Leonardo não quis se manifestar à Folha sobre a longa parceria.
 
No site da União Brasileira dos Compositores (UBC) é possível conferir todas as músicas em que o vilhenense tem participação em conjunto com a dupla. Na sentimental “Vai Ser Sempre Assim”, Leonardo aparece como compositor/autor, junto de João Carreiro e Capataz. A letra trata de saudade e solidão, revelando o seguinte refrão igualmente triste para o momento: “Mas eu sei o que vai acontecer / Você vai viver sem mim e eu vou morrer sem você / Vai ser sempre assim”.
 
Em outros 120 registros, que vão desde os anos 2000 até pelo menos 2021, Leonardo aparece como produtor fonográfico ou arranjador. Entre elas uma das que mais fez sucesso para os cantores, “Bruto, Rústico e Sistemático”, de 2009, famosa por integrar a trilha da novela da Globo “Paraíso”, no mesmo ano. Inclusive, em seu auge, a dupla esteve no que parece ter sido sua única apresentação em Vilhena, na 1ª Feira da Indústria de Vilhena (Fenevile), promovida pela CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas), em 3 de outubro de 2009. A atração era cogitada para a abertura da Expovil no mesmo ano, mas, por falta de espaço em sua agenda acabaram não vindo. Leonardo teve sua história narrada por matéria da Folha do Sul nessa época (Leia aqui)
 
A dupla encerrou as apresentações conjuntas em 2014, com Carreiro alegando sua saída para tratar de depressão. Meses depois, Carreiro iniciou carreira solo, na qual permaneceu até o fim da vida, com sua última apresentação tendo sido feita na virada de 2023 para 2024, em Mato Grosso. No perfil de Vivianne Serafim, irmã de Capataz, ela informa que, apesar de muitos estarem comentando sobre a separação dos dois, que motivou até mesmo ação por danos morais na Justiça, a reconciliação era algo esperado por toda a equipe e familiares.
 
A CONDIÇÃO DE SAÚDE - João Sérgio Batista Corrêa Filho, o Carreiro, chegou a passar 12 horas em cirurgia cardíaca antes de morrer na noite de quarta-feira, 3 de janeiro, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, com recém-completados 41 anos. A direção do hospital garantiu que apenas 3% dos pacientes morrem em cirurgias cardíacas e que seu falecimento foi uma fatalidade.
 
Ele sofria com prolapso da válvula mitral, condição genética que faz com que a estrutura que fica dentro do coração fique excessivamente flexível, a ponto de não se fechar adequadamente. Assim, parte do sangue acaba retornando ao átrio esquerdo, deixando de ser impulsionada para o organismo. “Carreiro fez a mesma cirurgia que minha mãe há 4 anos, quando saiu daqui intubada. Ela foi a primeira pessoa das regiões Centro Oeste e Norte do Brasil a fazer o procedimento com a técnica mitraclip, que na rede particular custaria cerca de R$ 600 mil. Graças a Deus, ela está bem hoje. Pouca gente sabe o que é um problema de válvula mitral e quais os sintomas. É importante estar atento”, comenta o jornalista vilhenense Paulo Mendes.
 
Apesar de muitas pessoas não apresentarem sintomas, alguns podem desenvolver tonturas, falta de ar, cansaço, batimento cardíaco irregular (arritmia) ou palpitações perceptíveis e regurgitação mitral. Neste último caso, quase sempre é indicada a cirurgia. Porém, o dispositivo Mitraclip, mencionado acima por Paulo, é instalado através de um procedimento minimamente invasivo que repara a válvula mitral sem necessidade de uma intervenção cirúrgica convencional. Ele é implantado no coração por meio de um cateter inserido na veia femoral, vaso sanguíneo na perna.