Violento confronto aconteceu na madrugada do dia 09 de agosto de 1995
 
Passou em branco ontem um dos episódios mais dramáticos já registrados na história do Cone Sul de Rondônia, e que ficou mundialmente conhecido como “Massacre de Corumbiara”: no dia 09 de agosto, uma ação militar para desocupar a Fazenda Santa Elina, uma propriedade com 18 mil hectares, deixou um saldo de 11 mortos: 08 sem-terra, 02 policiais e um homem não identificado, que ficou conhecido com “H5”. O corpo de outro sem-terra foi encontrado dias depois boiando no Rio Tanaru, próximo ao local do confronto.
 
FOLHAS NA COBERTURA
Fundado dois anos antes, o jornal FOLHA DO SUL, o primeiro impresso a circular em cores no Estado de Rondônia, teve sua redação usada como base por uma equipe da Folha de São Paulo, que veio para cobrir o sangrento episódio.
 
Não havia internet na época, mas o então sócio do semanário, Gervásio Leal, técnico em informática, providenciou um mecanismo que permitia a transmissão de imagens para a redação do veículo paulista.
 
VERSÕES
Os sem-terra alegam que por volta de 3h30 da madrugada jagunços e policiais militares cercaram o acampamento, grande parte deles usando máscaras ou com rostos pintados. O ataque teria se iniciado com arremesso de bombas de gás lacrimogênio e rajadas de tiros.
 
"Começaram a jogar bombas de efeito moral e depois vinham tiros. Dava um tempo, vinham mais bombas seguidas de tiros. Por volta de 7h foi quando eles invadiram o acampamento de vez. O sol já tinha aparecido", conta um dos sobreviventes, que lembra que após a retomada da fazenda, vários detidos passaram por sessões de espancamento.
 
A PM alega que as equipe que cumpria a reintegração de posse foi surpreendida por uma emboscada preparada pelos invasores com disparos de armar de fogo. Além disso, eram jogadas bombas de fabricação caseira e rojões.
 
INVESTIGAÇÃO E JULGAMENTO
Ao todo foram periciadas 74 armas, de um total de 194 militares que estavam na operação. Os laudos foram realizados dois meses após a operação. O local do massacre não passou por perícia. Ao fim das investigações, o Ministério Público de Rondônia (MP-RO) denunciou 20 policiais, quatro sem-terra, um fazendeiro e seu gerente.
 
O caso foi julgado entre agosto e setembro de 2000, em Porto Velho, após pedido de desaforamento do julgamento da comarca de Colorado do Oeste. Foram condenados pelo júri popular, um soldado da PM, a 18 anos de reclusão; outro soldado pegou a 16 anos; e, um capitão, que recebeu pena de 19 anos e meio.
 
Do lado dos ocupantes, um invasor pegou seis anos e dois meses de reclusão, e cumpriu a pena. Já outro foi condenado a oito anos e seis meses de cadeia e passou a ser considerado foragido