“Para viabilizar os empreendimentos, o acusado foi a campo para arrecadar doações de gado e realizou leilões”
 
O advogado José Francisco Cândido, que atua na defesa do produtor rural Vilde Mafra, ex-diretor da Apae em Vilhena, e que teve sua condenação em primeira instância publicada nesta semana, visitou o FOLHA DO SUL ON LINE e deu a versão do acusado de desviar recursos da entidade (ENTENDA AQUI). 
 
Já antecipando que pretende recorrer da decisão, o criminalista esclareceu o episódio, que também rendeu condenações a um diretor da Apae e um funcionário da instituição, denunciados pelo Ministério Público.
 
O advogado esclareceu que a Apae requereu a doação de um lote de madeiras apreendidas e obteve também autorização para vender o produto, afim de usar o dinheiro arrecadado em obras no prédio da própria entidade.
 
Como havia dificuldade de vender as madeiras, ela foi oferecida a Vilde, que era diretor da Apae na época. Ele pagou pelo lote de itaúbas e o levou para sua fazenda. Posteriormente, uma avaliação concluiu que o valor pago deveria ter sido maior. Imediatamente, Mafra depositou a diferença.
 
Reconhecendo exagero da própria denúncia, o Ministério Público reconheceu, em suas alegações finais, que não havia provas para condenar Vilde por peculato, requerendo a absolvição dele por esse crime. Mesmo assim, ocorreu a condenação.
 
Alegando que a sentença condenatória merece ser revista, o advogado lembrou que Vilde Mafra passou mais de 20 anos de sua vida atuando na Apae e ajudou a melhorar a estrutura da entidade. O trabalho dele para ajudar a garantir maior conforto a alunos especiais atendidos pela instituição, foi interrompido após seu afastamento com base numa ação que jamais caracterizou crime.
 
José Francisco ressalta ainda “a total ausência de má fé, por parte do acusado Vilde, o qual, nesses mais de 20 (vinte) anos, de forma voluntária, prestou serviços para a APAE de Vilhena, participando da sua evolução, conseguindo, com participação de entidades públicas e privadas alavancar o crescimento da instituição, construindo muro de 100x100ms; instalando uma marcenaria; uma padaria; sala de informática com 25 computadores; sala de fisioterapia toda equipada; construção de piscina semi-olímpica; brinquedoteca para alunos especiais; ampliação de salas de aula; quadra de esportes coberta, tudo visando dar mais comodidade e condições de maior adaptação de seus alunos, levando em conta a excepcionalidade dos mesmos. Para viabilizar os empreendimentos, o acusado foi a campo para arrecadar doações de gado e realizou leilões, à frente da instituição, tendo também diligenciado junto a governos e conseguido Ônibus novos, inclusive um com elevador, além de uma camionete S10 diesel e uma D20 diesel. Diligenciou e conseguiu junto à Prefeitura 10 (dez) casas populares para famílias da APAE, comtemplando àquelas de carência extrema. Infelizmente toda participação do acusado junto à APAE teve que ser interrompida em decorrência das acusações, exatamente quando, mais uma vez, quis contribuir com a Associação, visto que a madeira, objeto da denúncia, não era de um bom padrão comercial e, por não encontrar outros interessados, atendendo pedido do diretor, aceitou comprá-la unicamente com o objetivo de atender necessidades da instituição naquele momento”.