Em meados dos anos 80, o policial civil João Paulo das Virgens, hoje atuando na advocacia em Vilhena, era vereador em Porto Velho. Parlamentar combativo, era um dos críticos do regime militar e resolveu marcar uma audiência com o recém-nomeado embaixador de Cuba no Brasil.
Após reatar laços com a ilha caribenha, rompidos desde o golpe de 1964, o Brasil permitiu entrada dos diplomatas cubanos que, naquela época, se instalaram provisoriamente no Hotel Nacional, em Brasília.
Com a ajuda de um intérprete, o então parlamentar rondoniense explicou ao embaixador que gostaria de conceder um título de “Cidadão Portovelhense” a Fidel Castro, comandante supremo dos comunistas que haviam tomado o poder em Cuba.
Interessado na homenagem, o embaixador providenciou o currículo do velho ditador e enviou para João Paulo. O projeto foi apresentado e rendeu manchetes de jornais em todo o país.
Mas, passados alguns dias e vendo que a matéria não andava na Câmara, Das Virgens procurou o presidente da Casa, João Coelho, para saber o que se passava. O vereador pediu que o colega o acompanhasse num bar para discutirem o assunto enquanto tomavam uma cerveja. Lá, abriu o jogo: “Rapaz, fomos chamados na Brigada Militar por um general e mais a turma do SNI. Eles falaram que se a gente aprovasse o projeto para aquele comunista, ia todo mundo entrar no pau”.
Com o arquivamento do projeto, João Paulo não se livrou das brincadeiras de gozadores. Onde quer que andasse na capital, sempre havia alguém a lhe gritar: “Fala, Fidel!”.
Mesmo afastado da vida pública, o advogado continua atuante nos debates políticos de Vilhena e de Rondônia. A última vez que encarou as urnas foi como candidato a vereador pelo PMDB, na eleição de 2000, apoiando Heitor Batista contra Melki Donadon (PTB). É um dos que mais criticam a corrupção envolvendo petistas.