Na semana passada, os aliados do ex-prefeito Melki Donadon (PTB) cutucaram uma onça com vara curta: divulgaram na imprensa local a intenção de pedir a expulsão do senador Valdir Raupp do PMDB, após o parlamentar aparecer no programa eleitoral do prefeito Zé Rover (PP).
A tréplica de Raupp veio esta semana, através de entrevista dada a uma emissora de TV da cidade. Presidente nacional do PMDB, o parlamentar voltou a criticar Melki, com quem mantém relações azedas desde 2010, quando o ex-prefeito deixou o partido e filiou-se ao PHS para enfrentar nas urnas o próprio Raupp, que concorria à reeleição no pleito daquele ano.
Em declaração que promete elevar ainda mais a temperatura da disputa, o líder peemedebista disse que já tem informações de advogados de que a impugnação de Melki será mantida pela Justiça Eleitoral. E cravou um prego no caixão do ex-aliado: disse que o petebista repetirá a mesma estratégia usada em 2004, quando renunciou à candidatura e colocou o primo, Marlon Donadon, em seu lugar às vésperas da eleição.
Tanto Melki quanto seus partidários garantem que, desta vez, sua candidatura será mantida, mas Raupp insiste na acusação: “Será feita a mesma manobra de oito anos atrás para não comprometer totalmente a chapa”.
O senador está tão confiante na previsão que faz que já antecipou as críticas ao procedimento: “O jogo deveria ser mais claro. É uma espécie de enganação. O eleitor merece saber em quem está votando. Isso não é um jogo democrático”, disse, tirando o corpo fora ao explicar que o que fez, ao dar a entrevista, foi apenas prestar um esclarecimento ao eleitorado.
Raupp também prometeu trabalhar para alterar a legislação eleitoral que permite este tipo de estratégia. Disse que vai propor que eventuais mudanças de candidatos só sejam permitidas 15 dias antes de cada pleito.
 ROVER – Instigado pelo repórter que fez a entrevista, Raupp explicou que decidiu apoiar a reeleição do prefeito Zé Rover (PP) por causa seu empenho em buscar investimentos em Brasília para manter o crescimento de Vilhena. “Os três senadores estão com o prefeito”, contabilizou, falando pelos colegas Ivo Cassol (PP) e Acir Gurgacz (PDT), que apóiam o progressista.
 O OUTRO LADO – O jornal FOLHA DO SUL ligou para a assessoria de Melki e revelou o teor das declarações de Raupp. O assessor que atendeu a ligação disse que consultaria o ex-prefeito e que se manifestaria sobre o assunto. Mas até agora o petebista não retornou a chamada.