“O que adoece a gente é a perseguição, o assédio moral velado, a desvalorização e as atitudes de alguns servidores da equipe gestora e da própria Semed”
O FOLHA DO SUL ON LINE entrevistou, nesta quarta-feira, 27, um professor da rede municipal de Vilhena, que relatou um problema recorrente que pode causar novas tragédias, mesmo após a morte de uma educadora que estava afastada do trabalho por problemas de ordem psicológica (ENTENDA O CASO).
Segundo o entrevistado, que após ser diagnosticado com depressão e outros transtornos está afastado da escola desde o mês de maio, ele já chegou a trabalhar doente, assim como ainda fazem muitos de seus colegas por pressão da Secretaria Municipal de Educação.
O educador conta que estava com a professora Neliane Grigório no dia em que ela estava passando por avaliação médica. Mesmo diante da aparência dela, o médico que analisou seu quadro ignorou o apelo da educadora dizendo que não tinha condições de trabalhar e determinou que ela voltasse a dar aulas no dia 25 de setembro. Na véspera do retorno, aconteceu a tragédia.
O entrevistado diz que, embora cansativa, a jornada de trabalho não é o principal causador dos problemas mentais e de outras doenças entre os professores. “O que adoece a gente é a perseguição, o assédio moral velado, a desvalorização e as atitudes de alguns servidores da equipe gestora e da própria Semed”, enumera.
Sobre a tragédia recente protagonizada pela colega, o professor é categórico: se nada for feito para amparar a categoria, novas atitudes extremas podem acontecer nas escolas da rede pública, onde estão faltando professores. “Inventam desculpas de que faltou luz para dispensar alguns alunos, mas o que está faltando são professores”, dispara, acrescentando que o principal motivo de afastamento dos profissionais são os problemas psicológicos.
Quanto ao médico responsável por analisar a situação mental dos professores, determinando que eles retornem ao trabalho, mesmo sem estar em condições, o denunciante acusa: “ele nem tem formação na área psiquiátrica, mas se sente no direito de ignorar a recomendação de especialistas no assunto”.
Conforme o entrevistado, para recorrer do parecer da Junta Médica do Município, quem é reprovado precisa pagar R$ 550,00 de consulta com um especialista a fim de obter um novo laudo.
Aparentemente, era o que Neliane pretendia pretendia fazer... mas a angústia falou mais alto e levou ao desfecho trágico.
Autor:
Da redação
Fonte:
Imagem ilustrativa
Publicado em 27 de Setembro de 2023, às 14:30