“São médicos inexperientes e incompetência, sim”, dispara vereadora
 
Na semana passada, declarações dadas por parlamentares e pela própria secretária municipal de Saúde de Vilhena, Weslaine Amorim, sobre a situação da UPA, que tem sido alvo de diversas reclamações e até de denúncias de supostas negligências (RELEMBRE AQUI), gerou reação de servidores da unidade, que emitiram uma nota de repúdio com críticas aos vereadores.
 
Ontem, terça-feira, 19, a situação da Saúde e a nota de repúdio foram temas dos discursos de vereadores. Alguns defenderam a convocação do representante da empresa Medicando, administradora da UPA, para dar explicações. 
 
Pedrinho Sanches (Avante) foi um dos que falaram sobre o tema. O vereador citou que na noite anterior a polícia precisou ser acionada para uma ocorrência envolvendo médico e paciente. “E eu vou voltar a falar da novela da nossa UPA. Ontem foi bater polícia lá. E nós estávamos avisando faz dias. Mas, tem gente que não ouve. Você pode falar, falar, falar, falar... Desde o começo nós estamos aqui aconselhando e falando que aquilo ali não ia dar certo. Não tem ninguém que dá conta de arrumar um negócio daquele”, verbalizou Sanches, antes de declarar: “e se for pra ter uma UPA pra tratar as pessoas daquele jeito que estão tratando, é muito melhor que não tenha”.
 
Para o vereador, está claro que aquele local não tem estrutura física, nem de pessoal para atender a população. Ele defende que o pronto-socorro volte para Hospital Regional. “Se não dá pra tocar a UPA, entrega e coloca uma unidade básica de saúde ali. Por que a gente tá passando vergonha. É vergonhoso para o município de Vilhena o que está acontecendo na saúde pública neste momento”. 
 
Já o vereador Dhonatan Pagani sugeriu que a Câmara analise minuciosamente o edital da contratação da empresa, e em se identificando qualquer provável descumprimento do contrato, que seja feita a documentação, e num prazo de 15 ou 30 dias que sejam convocados os representantes da firma para que eles sejam ouvidos e esclareçam sobre as suas decisões administrativas em relação aos médicos e o cumprimento do contrato.
 
“Porque não pode do jeito que está. Não pode! Eu acabei de receber uma mensagem que tem uma criança tentando uma regulação para Porto Velho. Ela está em estado grave e não tem um médico para fazer essa regulação, porque todos eles estão atendendo e a empresa não conseguiu pegar um médico ainda para fazer essa regulação. Todo dia tem caso de polícia nessa UPA.  Então vamos convocar aqui todas as pessoas quantas forem necessárias para resolver esse problema”, ponderou.
 
O vereador Samir Ali (Podemos) tachou a nota de repúdio publicada como “bizarra”. Ali declarou ainda: “uma nota que eu acho que tem tanta capacidade quanto a prestação de serviço deles. Bizarra mesmo a nota na qual eles dizem que foram ditas inverdades pelos vereadores, mas não enumeram quais inverdades. Pelo menos para que, dessa forma, eu vereador, tenha a oportunidade de me defender, de me explicar”, analisou o parlamentar, que concluiu  sua fala assim: “a empresa Medicando para Câmara de Vereadores é mais um problema que a saúde tem”.
 
Já a vereadora Vivian Repessold (PP) citou também o caso ocorrido na UPA que culminou com o envolvimento da polícia. “Não fui só eu quem foi comunicada da situação da demora no atendimento de uma mãe que ontem estava no hospital com seu filho com mais de 37 graus de febre e tendo que espera por 8 horas. A pessoa perde a educação, passa dos limites da compreensão, e aí faz o que a gente chama de barraco. A gente que tem filhos sabe do desespero que é; e a gente geralmente sai da casinha”, comentou.
 
Repessold falou também sobre a questão da falta de médicos na rede pública municipal e afirmou que a baixa remuneração é o motivo para a escassez de profissionais. “Você pode fazer três concursos por ano aqui, que você não vai ter médico para trabalhar. Não é a saúde que não tem profissional, a saúde tem profissional, só que os nossos profissionais estão indo trabalhar para fora porque o salário que eles estão ganhando aqui não dá para sustentar a família deles. Aí vem uma empresa de fora, a gente acha que vai salvar a pátria, e piora a nossa situação, porque são estúpidos e incompetentes”, declarou, antes de continuar: “eu passei por isso, não estou dizendo que eu ouvi, eu fui lá com a minha mãe no hospital e o médico não sabia o que fazer. Ligou para outro médico para perguntar o que era para fazer. Eu passei por isso. Ainda bem que o Clair (servidor da Saúde) interveio a tempo, mas minha mãe estava sendo enviada para uma cirurgia em Cacoal. Eu passei por isso, eu não vi ou ouvi, eu passei por isso. São médicos inexperientes e incompetência, sim”, apontou.