Família precisou recorrer à justiça para realizar procedimentos pelo SUS
Com uma postagem comovente nas redes sociais, feita no início da tarde desta segunda-feira, 06, a médica Ingrid Jeziorny anunciou o falecimento da mãe, a pedagoga, empresária e atualmente aposentada, Francisca Messilda Ribeiro Jeziorny. Ela tinha 66 anos e passou por uma segunda cirurgia no cérebro no hospital LACIC, em Cuiabá (MT). O procedimento na capital mato-grossense foi realizado no sábado, 04. Triste e trágica coincidência: o óbito foi confirmado hoje, dia do aniversário Inésio.
Em abril, a educadora descobriu que tinha dois aneurisma cerebrais, um em cada lado da cabeça. Devido aos altos custos das cirurgias na rede privada, procedimentos que somente são realizados em grandes centros, para que a Messilda ser operada com urgência o que na rede pública seria impossível, a família buscou a ajuda através do Judiciário, que autorizou o SUS a cobrisse o valor do procedimento que na rede particular estava além das possibilidades financeiras da família.
A vilhenense, que junto com o marido, Inesio Luis Jeziorny, comandava o polo da faculdade Unopar na cidade, fez a primeira cirurgia em agosto deste ano, no mesmo hospital LACIC em Cuiabá, tendo um resultado “fantástico” sendo os médicos, não aparecendo ou dando qualquer anormalidade e tendo alta 24 horas após a operação.
O primeiro procedimento demorou menos de uma hora, e Messilda retornou para Vilhena, onde ficou aguardando pela segunda cirurgia. Ao receber a informação de que a nova cirurgia estava sendo contestada na justiça, o judiciário indeferiu a solicitação para que o SUS custeasse essa 2ª intervenção.
Na decisão judicial, foi agendada pelo SUS uma consulta com um neurocirurgião no Hospital Regional de Cacoal, para onde Messilda viajou. Ao profissional que a atendeu, foram apresentados todos as documentos necessários, como exames, receitas e laudos, ou seja, tudo que ela já vinha fazendo desde abril, inclusive o laudo técnico da primeira cirurgia.
Após analisar o material, o médico solicitou outros exames, e informou que não era possível realizar a cirurgia em Cacoal.
De posse dos documentos de solicitação do referido medico, recorreu-se novamente ao judiciário, sendo deferida a solicitação para que o SUS custeasse a segunda cirurgia, que foi agendada para o dia 04/11. Esse segundo procedimento foi mais demorado e durou mais de 03 horas. Inésio visitou a esposa na UTI por volta das 14:30 do dia da cirurgia, e ela, embora debilitada, estava consciente. Já as 18:00h daquela data, o médico comunicou filha da paciente, a médica Ingrid, que estava em Vilhena, que havia se rompido um vaso sanguíneo levando a um AVE Hemorrágico, inundado o cérebro da paciente com sangue. No mesmo instante, Ingrid deslocou-se para Cuiabá para acompanhar de perto a situação da mãe.
Em pouco tempo, o quadro da vilhenense se agravou e ela precisou ser intubada. Um primeiro exame indicou a morte cerebral de Francisca Messilda, e o segundo nem chegou a ser feito, já que a equipe médica avaliou que a situação era irreversível.
A família de Inésio, o esposo de Francisca Messilda, chegou em Vilhena no ano de 1979. Os dois se casaram em 1990, e em 1994 nasceu a filha, Ingrid; já em 1996, Inésio, que havia passado pelas cidades de Rolim de Moura, Porto Velho e Ariquemes, retornou para Vilhena -ele e a esposa eram bancários, trabalhavam no extinto Beron. Como fechamento do Banco, o casal investiu seus recursos na área educacional, mantendo a franquia Unopar desde então.
“Dona Messilda”, como todos a conheciam, fazia parte da ONG Amor de Quatro Patas. Um de seus passatempos era cuidar de animais -ela deixa cachorros e gatos, que ficarão sob a responsabilidade da família.
Messilda deixa o esposo, Inésio, a filha Ingrid e o sobrinho João Vitor, do qual ela tinha a guarda definitiva. O corpo dela será velado, em data a ser definida pela família, na Câmara Municipal de Vilhena.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 06 de Novembro de 2023, às 18:09