“A média de salários dos professores é de R$ 6 mil e, no fim de carreira, a cidade de Vilhena paga até R$ 12 mil”, diz Flori
A julgar pelos movimentos iniciais, pode ser prolongada a queda de braço entre os professores da rede municipal e o prefeito de Vilhena, Delegado Flori. Ontem, como mostrou o FOLHA DO SUL ON LINE, a categoria decidiu, em assembleia, deflagrar uma greve na cidade, e anunciou que a paralisação começa na quarta-feira, 09 (ENTENDA AQUI).
Por trás da manifestação dos educadores está a decisão de Flori, que já começou a pagar o novo teto do magistério, estabelecido por lei federal, mas anunciou que não concederá o reajuste de 14,95% para toda a categoria (VEJA AQUI).
Os professores, liderados pelo Sindsul e pela vereadora Vivian Repessold, que é da categoria, alegam que não foi concedido o piso, e sim um complemento de salário, que não incide sobre os outros benefícios conquistados pela classe (ENTENDA AQUI).
O site procurou o prefeito, para saber qual será a posição dele diante da greve iminente. E o mandatário deixou claro que não irá recuar em sua decisão: Flori enviou à redação os prints da conversa dele com uma representante dos professores. O diálogo foi duro e tenso, conforme pode ser conferido nas imagens abaixo, que não permitem a identificação da interlocutora de Flori.
O líder vilhenense também expressou o seguinte posicionamento, ao lembrar que, no ano passado, os professores já haviam ganhado um aumento de 33% em seus salários:
“Vou, com mais calma, explicar durante a semana as razões pelas quais considero impossível dar aumento em cascata aos professores da rede municipal, já que menos do que o piso nacional nenhum deles ganha em Vilhena.
Mas, por agora, para que as pessoas isentas e com bom senso possam concluir por si sobre a justiça (ou não) da greve trago aqui algumas informações:
1. Nem um só professor recebe aqui menos do que o piso nacional, fixado em R$ 4.420,55. NENHUM!
Aliás, nenhum professor que trabalha 40 horas semanais (das quais apenas 18h semanais em sala de aula), recebe menos do que R$ 4.500,00 líquidos, limpos, em toda rede.
A média de salários dos professores é de R$ 6.000,00 e, no fim de carreira, a cidade de Vilhena paga até R$ 12.000,00 aos seus professores. No meio da carreira há quem receba de 7 mil a 9 mil reais por mês, muito além do piso, portanto.
2. A eles o município também garante aposentadoria especial. Se aposentam com o último salário recebido (mesmo que tenham contribuído com menos) e quando os professores da ativa tem aumento, os aposentados tem também. A idade de aposentadoria também é menor para os professores, tudo merecido, claro, mas isso não é desvalorização.
Não há, portanto, falta de valorização. Todo professor merece o mundo inteiro em agradecimento ao talvez mais importante dos trabalhos. Mas se dizer que o município não faz um esforço com o que tem para remunerar esses profissionais passa longe da verdade, e a conta anual para manutenção da aposentadoria dos servidores públicos municipais retira da prefeitura R$ 42 milhões (ano que vem vai retirar 48 milhões com aumentos iguais para o futuro – um hospital novo por ano).
3. A folha de pagamento de professores gira em torno de 7.800.000,00 (sete milhões e oitocentos mil reais) mensais e absolutamente tudo – ABSOLUTAMENTE TUDO – que vem de FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) para a cidade de Vilhena gastar com folha e manutenção de prédios, melhores equipamentos para seus alunos, é gasto com pagamento de professores. Não sobra um só real, pelo contrário, o município junta ainda mais do seu próprio para complementar o gasto.
Até esse mês a cidade recebeu de Fundeb R$ 39,8 milhões e gastou R$ 41,8 milhões em salários de professores.
A opção política em Vilhena até essa data foi essa, de forma nua e crua: deixar à mingua as escolas e seus equipamento para se pagar em salários. Nem um real para um tijolo em expansão. É uma opção dentro da lei, mas tal opção trás consigo uma responsabilidade: a de se saber que ruínas não se reformam sozinhas ou a preço zero. Sem recursos, rachaduras, telhados e escolas fechadas (como a Chitosse, por exemplo) não podem dar condições dignas aos alunos e, é claro, aos professores.
Não existe almoço grátis e quem defende mais salários deve arcar com a consequência moral por essas mazelas. Mas é mais fácil, eu sei, ser populista e dar o aumento – coisa que eu não farei.
4. Os professores grevistas, embalados por sindicalistas em campanha para diretoria que acontece ainda esse ano, não querem apenas o “piso”. Querem efeito cascata, ou seja, quem já ganha mais que o piso quer um aumento na mesma porcentagem de que não ganhava o piso atual e teve seu salário aumentado por ordem minha essa semana. A briga não tem nada a ver com piso, é apenas uma narrativa para iludir a opinião pública.
A conta da cascata custará, se paga, mais R$ 16 milhões aos cofres municipais.
Veja-se: serão R$ 7,8 milhões mensais mais R$ 16 milhões por ano. Esse recurso não existe na Educação que já tem gastos em recurso próprio de 24,4% de todo o orçamento (o gasto pela lei é de 25%).
Para se ter uma idéia, no fim do ano passado R$ 14 milhões foram retirados de todo canto do orçamento, de obras, de equipamentos – e até da reforma do próprio Paço, a sede da prefeitura que continua inconclusa – para juntar cacos do escasso recurso municipal para se pagar a folha da Educação. Foram R$ 14 mi no fim do ano e agora se quer mais R$ 16 mi em efeito cascata.
Quer dizer: fora o Fundeb o município ainda incluí recursos próprios para pagar a folha e, hoje, de tudo que tem já está em 24,8% de seu orçamento o que se injeta em educação. Não há dinheiro. Não há nenhum espaço de manobra e, de tudo que temos, quase tudo já vai para pagamento de folha. Não é má vontade, é impossibilidade.
5. Para todos que me acompanharam até aqui neste texto e não vivem de ódio, oposição destrutiva ou sindicalismo irresponsável, gostaria de mostrar, sem dizer o nome – a não ser que a envolvida me autorize – qual foi o método que uma representante de sindicato utilizou para tentar dissuadir o prefeito de Vilhena a pagar o que queria. Acompanhe o diálogo (VEJA NOS PRINTS ABAIXO).
E o prefeito dispara, ao comentar o diálogo virtual com a educadora, sem identifica-la:
A professora e sindicalista pode até ter razão, no final das contas.
Nenhum prefeito se reelege (se for candidato a reeleição) não cedendo a sindicalistas travestidos de professores, mas comigo, não. Não temo isso. Faço o sacrifício pessoal em nome da cidade e tenho mais um ano e meio para fazer o que é certo. E agora acho que o certo é não dar aumento para quem já ganha mais do que o piso e, se não ganha tudo que merece, não está com salário de fome de jeito algum.
Faço isso em nome dos próprios professores e dos alunos, nosso futuro.
Um post scriptum: estou com uma ordem do Tribunal de Contas para não aumentar a folha por conta do volume de gastos no ano passado com folha, em média 55% de todo orçamento, o que é proibido por lei. Enquanto isso não for diluído (em 12 meses), não é possível dar aumentos de nenhuma natureza sem responsabilização do administrador.
Tenho, contudo, que ultrapassada essa fase a chamada Classe D mereça mesmo um certo aumento salário. São cargos de alta qualificação que foram deixados para trás. Farei o possível”.
Fotos
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 03 de Agosto de 2023, às 08:17