Foi apontado ainda que a empresa construiu oito PCHs no rio Juruena e que pagam um valor em dinheiro aos indígenas para conseguirem usar a área
Pelo menos 20 indígenas da etnia Enawenê-Nawê ficaram feridos após supostamente terem sido agredidos por seguranças de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), próximo ao rio Juruena, em Mato Grosso, durante uma manifestação no último domingo, 25.
De acordo com as informações da Polícia Civil, o fato aconteceu nas áreas de duas PCHs localizadas às margens do rio Juruena, nos municípios de Campos de Júlio e Sapezal, ambos em Mato Grosso.
O fato aconteceu enquanto os indígenas estavam realizando uma manifestação para conseguir uma reunião com a empresa Hydria Geração de Energia, que supostamente estaria usando o terreno.
Durante a manifestação, com cerca de 400 indígenas, os seguranças efetuaram vários disparos usando balas de borracha.
Em uma das imagens é possível ver um dos indígenas com vários ferimentos nas costas. Um dos representantes da etnia, Lalokwarise Detalikwaene Enawene, afirmou que no momento do protesto nenhum dos indígenas estava armado.
"Nós chegamos ontem lá e os seguranças deram tiros na gente. Nós não carregamos flecha, borduna, não fizemos nada e eles brigaram com a gente", disse o líder.
Um vídeo gravado pelos indígenas mostra os seguranças efetuando vários tiros. Os feridos receberam atendimento. Uma equipe da Delegacia de Polícia de Sapezal foi ao local, em diligências, para a apuração do ocorrido.
Os representantes mantiveram contato com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e com a Polícia Federal para recuperar os carros apreendidos.
Foi apontado ainda que a empresa construiu oito PCHs no rio Juruena e que pagam um valor em dinheiro aos indígenas para conseguirem usar a área.
O site Olhar Direto entrou em contato a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso, que informou que as PCH's Rondon, Parecis, Telegráfica e Campos de Júlio estão licenciadas e não ocupam Terras Indígenas.
Sobre o pagamento citado, este tipo de acordo não passa pelo licenciamento ambiental. Pode ocorrer por via judicial, com interveniência da Funai, Ministério Público Federal e Justiça Federal.
O espaço segue aberto para o posicionamento da Hydria Geração de Energia.
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Autor:
Da redação
Fonte:
Olhar Direto
Publicado em 28 de Junho de 2023, às 09:38