Preso desde que deixou hospital, principal suspeito mantém a mesma versão
 
Aconteceu na manhã desta quarta-feira, 13, uma audiência virtual que irá começar a definir se o suspeito de ser autor de um crime bárbaro cometido em Vilhena dois meses atrás irá ou não a júri popular. O destino do acusado será decidido pela juíza Liliane Pegoraro Bilharva, titular da 1ª Vara Criminal.
 
Além da própria magistrada, participaram da audiência o promotor de justiça Thiago Gontijo, representando o MP, a defensora pública Nicole Dimichioli Rigo Simões e o assistente de acusação, advogado Jacier Dias. Também foi ouvido o próprio acusado, Rafael Macedo, e a enfermeira Elisangela Maria da Silva, irmã da mulher assassinada, que tinha 32 anos e se chamava Elisama da Silva Macedo. Elizangela também morava na casa onde aconteceu o homicídio.
 
A MESMA VERSÃO
Ouvido remotamente, Rafael manteve a versão que apresenta desde que a esposa foi encontrada morta, com uma faca espetada no pescoço: a de que dois homens invadiram sua casa para roubar, mataram Elisama e o sequestraram.
 
No mesmo dia do crime, o suspeito foi encontrado horas mais tarde na zona rural de Vilhena, ferido a facadas, e passou por cirurgia no Hospital Regional, para onde foi levado. Um irmão da vítima falou sobre o caso e fez algumas revelações surpreendentes ao conceder entrevista ao FOLHA DO SUL ON LINE (LEMBRE AQUI).
 
DEPOIMENTO COMOVENTE
Nenhuma das testemunhas ouvidas nesta fase do processo, incluindo vizinhos e familiares, confirmou a alegação de Rafael, de que a morte da esposa teria sido obra dos invasores de sua casa.

A fala da empregada do casal, que confirmou ter visto o carro do patrão saindo quando chegava para trabalhar, foi a mais comovente, por trazer a descrição de uma cena trágica.
 
Segundo a funcionária, ao chegar na casa onde a patroa estava morta, ela não entrou e ficou na varanda passando roupas. Ao perceber que o filho mais novo de Elisama, um bebê de apenas 09 meses, estava chorando no sofá, ela apenas olhou pelo vidro, imaginando que a mãe dele estivesse dormindo.
 
Logo em seguida, o irmão do garoto, que tem 02 anos, apareceu e disse que ele estava deixando “pegadinhas” no chão da casa. Quando foi limpar os rastros deixados por um líquido escuro, a empregada percebeu que se tratava de sangue, e estava vindo do quarto.
 
Ao levantar a coberta, a testemunha encarou a cena macabra: a patroa deitada sem vida na cama, com a faca cravada no pescoço, e envolta em uma poça de sangue. O bebê havia descido do berço e sujado os pezinhos ao passar sobre o corpo ensaguentado da mãe.
 
FACAS DA CASA
Durante a audiência Rafael confessou que as duas facadas usadas nos ataques simultâneos, eram de sua casa: uma matou Elisama e a outra feriu ele próprio durante o suposto sequestro.
 
Na versão do acusado, que segue detido na Cadeia Pública de Vilhena desde que deixou o hospital, um dos bandidos que entraram em sua residência portava com um revólver, mas o comparsa dele estava desarmado.
 
O QUE ACONTECE AGORA?
A juíza abriu prazo para que o MP, a Defensoria e o assistente de acusação apresentem as alegações finais. Após analisar as argumentações de todos, a magistrada dirá se absolve ou “pronuncia” o suspeito que, neste caso, enfrentará o julgamento no Tribunal do Juri.