Oliva Colla tem 87 anos, 37 deles morando na cidade do Cone Sul de Rondônia
 
Um leitor do FOLHA DO SUL ON LINE na cidade de Cerejeiras entrou em contato com o site esta semana e sugeriu uma pauta curiosa: contar a história de uma pioneira que ainda mora lá e que teve 14 filhos. Tamanha fertilidade já seria realmente surpreendente, mas um detalhe torna ainda mais impressionante a história da personagem: oito dos bebês que ela trouxe ao mundo são gêmeos e um foi adotado.
 
Ao sair a campo para investigar o caso, a reportagem conversou com uma das muitas netas da paranaense Oliva Colla de Souza, atualmente com 87 anos, 37 deles residindo em Cerejeiras. Ela veio com o marido e a numerosa “ninhada” de Santo Antônio do Sudoeste, no interior do Paraná. O patriarca se desfez das terras que tinha lá e comprou uma fazenda em Cerejeiras, mas a propriedade foi vendida cerca de três anos atrás. O companheiro de Oliva morreu há mais de duas décadas.
 
Fruto da união de um italiano com uma descendente de alemães, a idosa cerejeirense é uma pessoa animada e que preserva as tradições: fabrica macarrão caseiro, adora comer polenta (que ela mesma prepara, com queijo e salame) e não dispensa uma boa cerveja, geralmente acompanhada de deliciosas histórias guardadas em sua memória, que continua funcionando bem. Mas, infelizmente, isso pode mudar rapidamente, pois a anciã começou a apresentar, recentemente, os primeiros indícios de que estaria com a Doença de Alzheimer, que “deleta” todas as lembranças.
 
Segundo a neta, nem mesmo a família sabe explicar o motivo de tantos gêmeos -todos os nascimentos foram conduzidos por parteiras. Apenas dois dos irmãos que vieram ao mundo em dupla já morreram: uma menina, ainda criança, e um adulto, vítima de um trágico acidente no interior do Amazonas, muitos anos atrás. “Ele foi esmagado por uma tora, quando trabalhava no transporte de madeiras no distrito conhecido como 180”, conta a entrevistada.
 
E a tradição de se reproduzir com velocidade através da chamada “gravidez gemelar” parece ter passado para as novas gerações, pois um dos netos de Oliva teve dois garotinhos, que chegaram juntos ao mundo 11 anos atrás, e também moram em Cerejeiras. Dois filhos da idosa também tiveram o privilégio de gerar herdeiros em duplicidade, mas infelizmente as crianças morreram poucos dias após o nascimento.
 
Bem humorada e ativa, a anciã ainda mora sozinha, mas os filhos se revezam nos cuidados. Atualmente, por exemplo, ela está recebendo uma das filhas, que veio do Paraná passar alguns dias ao seu lado, relembrando a trajetória da família. Tudo regado e muita massa, polenta... e cerveja!