Finalizada em 1912, a estrada de ferro ficou conhecida pelos inúmeros eventos sombrios ocorridos durante sua construção
 
Conhecida como “Ferrovia do Diabo”, a estrada de ferro Madeira Mamoré, que teve seu último trecho finalizado no dia 30 de abril de 1912, possui um histórico bastante sombrio.
 
A estrutura fez parte de um tratado assinado em 1903 pelos governos brasileiro e boliviano, logo após a compra do território do Acre, até então pertencente a Bolívia. A ideia era promover o progresso, porém diversos incidentes ocorreriam a seguir, dando à ferrovia a fama conquistada.
 
A seguir, confira 5 curiosidades sobre o tema.
 
1. FOME, MORTES E DOENÇAS
Segundo informações da Biblioteca Nacional, milhares de pessoas perderam suas vidas enquanto trabalhavam na construção da Ferrovia do Diabo. Isso ocorreu devido à insalubridade, à fome e inúmeras doenças que as acometiam, como malária e disenteria.
 
Não havia medicamentos para tratar os doentes e as condições de trabalho, apesar de bastante precárias, eram naturalizadas pelos empresários.
 
2. FALÊNCIA DA EMPRESA
A princípio, as obras da Madeira-Mamoré Railway Company seriam realizadas sob o comando dos irmãos norte-americanos Philips e Thomas Collins, que assinaram os documentos do empreendimento em 1877, dezesseis anos após o surgimento da ideia.
 
A dupla partiu no ano seguinte para a Filadélfia com engenheiros, trabalhadores, máquinas e carvão mineral e, em janeiro de 1879, decretou falência.
 
Como a empresa Collins não poderia mais dar prosseguimento ao projeto, o mesmo foi repassado ao engenheiro Percival Farquhar (1864-1953), também estadunidense, quem foi considerado um dos maiores empresários da história do país.
 
3. EXTRAÇÃO DO LÁTEX
De acordo com a fonte, o objetivo era construir uma estrada de ferro que atravessaria os estados do Amazonas e Rondônia passando pela fronteira do Mato Grosso, o que seria um importante passo para a indústria do látex. As obras foram iniciadas em 1907 e finalizadas em 1912. Mesmo assim, o resultado não saiu como o esperado.
 
4. PREJUÍZOS
A ferrovia gerou lucros apenas nos dois primeiros anos de atividade, uma vez que houve queda considerável da participação brasileira no mercado da borracha, tendo em vista que a Ásia oferecia um produto de boa qualidade e fácil extração. Isso fez com que as atividades de Farquhar entrassem em falência.
 
5. TRANSFORMADA EM RODOVIA
Em 1937, o então presidente Getúlio Vargas apontou Aluízio Pinheiro Ferreira como novo diretor da ferrovia, função que exerceria até o ano de 1966. Mais tarde, Humberto de Alencar Castelo Branco determinou a substituição da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré por uma rodovia, depois de 54 anos de acúmulo de prejuízos.