“Não peço dinheiro, mas agradeço a todos que comprarem os números para me ajudar”
 
Por indicação de uma familiar, um morador de Espigão do Oeste procurou o FOLHA DO SUL ON LINE neste sábado, 01, e pediu ajuda para divulgar a rifa que está vendendo para custear a 15ª quinta cirurgia que precisará fazer em menos de um ano, após um acidente dramático do qual foi vítima.
 
Ao se apresentar, o motorista e operador de máquinas pesadas Willian Bryon Dias Gabrete contou a saga que viveu ao se acidentar duas vezes dentro da Terra Indígena Suruí, que ocupa áreas em três municípios: Pimenta Bueno, Espigão do Oeste e Vilhena.
 
“O trabalho era ilegal”, admite Willian, que disse que atuava na extração de madeiras. Segundo ele, eram 25 dias embrenhado na mata e outros cinco dias na cidade. E foi a vida em condições extremas dentro da floresta que levou ao primeiro acidente.
 
Já sem carne para o grupo consumir, o motorista resolveu consertar a espingarda para caçar, mas a arma acabou disparando acidentalmente e atingindo seu pé. Três dias depois, o membro ferido começou a “empretear” e os amigos decidiram levar o companheiro para receber atendimento médico em Espigão.
 
Como não havia mais vaga na cabine, Willian foi colocado na carroceria de um caminhão carregado de madeiras. Sacolejando e enfrentando intensas dores na estrada improvisada no meio da mata, o ferido acabou caindo quando o caminhão passou em um buraco.
 
O inacreditável é que, mesmo o companheiro de trabalho tendo sido atingido pelas rodas traseiras do caminhão, o grupo não percebeu nada e seguiu viagem. Willian ficou caído e agonizando por quase 24 horas, até ser resgatado por uma viatura da polícia, acionada pelos colegas.
 
As lesões sofridas pelo trabalhador, além do pé baleado, incluíram várias fraturas e traumas em órgãos internos, como o baço, que precisou ser removido. Ao todo foram 14 operações até agora.
 
Pensam que o sofrimento acabou? Durante as internações, Gabrete contraiu uma bactéria, que “comeu” metade suas nádegas. Com dezenas de ampolas de medicamentos, o organismo foi eliminado, mas os efeitos ainda incomodam a vítima.
 
Para realizar a 15ª cirurgia, o trabalhador está vendendo uma rifa, que custa 20 reais o bilhete. O ganhador pode escolher o prêmio: uma novilha de 10 arrobas ou R$ 1.400,00 em dinheiro.
 
“Não peço dinheiro, mas agradeço a todos que comprarem os números para me ajudar”, diz o entrevistado, que tem uma filha de 04 anos e pode ser contatado pelo telefone (69) 9 9303-9161.
 
 As fotos que ilustram esta reportagem foram cedidas pelo próprio acidentado.