Família de Eunice Jakymiu se instalou em Santa Catarina em 1910
Moradora de Vilhena desde 1983, a advogada Eunice Jakymiu, descendente ucranianos, fez postagens no Facebook lamentando a invasão, pela Rússia, do país de onde seus avós e bisavós vieram há mais de um século, mais precisamente no ano de 1910.
Em entrevista ao FOLHA DO SUL ON LINE nesta sexta-feira, 25, a profissional do Direito, formada em Santa Catarina, contou a saga de seus ancestrais. “Meus avós maternos, Basílio é Júlia Mochnacz vieram para o Brasil em 1910 com a campanha do governo federal para emigrantes que desejavam trabalhar na agricultura e receberiam terras gratuitas. Mas se conta que pagaram a intermediários para a expedição do título e a área de terra não condizia com o prometido. Até o primeiro plantio foi muito difícil: mata virgem, morros e muita pedra”.
Instalada no município catarinense de Porto União, numa colônia chamada “Nova Galícia”, o casal ucraniano teve nove filhos (5 homens e 4 mulheres), entre eles, a mãe da advogada. Embora as crianças frequentassem uma escola municipal rural, na casa de Basílio e Júlia, as tradições e os costumes ucranianos eram mantidos. O idioma falado pela família também era o da terra natal.
“Cabe mencionar que o meu bisavô, Miguel, que veio junto com a esposa Ana no mesmo grupo, faleceu em razão de complicações de saúde pelo fato de sair mata adentro atrás de um animal perdido (uma vaca) e ter se perdido, só sendo encontrado após muitos dias de busca”, relembra Eunice
A advogada vilhenense esteve na Ucrânia em agosto de 2014, ocasião em que o país já lutava para manter a integridade da nação. “Vi muita movimentação de tanques indo para a fronteira”, relembra a entrevistada, esclarecendo que não mantém contato com os parentes na Ucrânia. “Mas sei que ficaram muitos lá. Soube que uma prima do meu avô foi enviada para a Sibéria em razão de não aceitar o regime imposto pelos russos ao povo ucraniano na época, 1910 aproximadamente”
Sobre o conflito que explodiu esta semana, e está assustando o mundo, diz a advogada: “como vejo esta invasão? Mais um ato de crueldade contra o povo ucraniano! A Rússia, um país transcontinental e uma das maiores potências do planeta, tendo este comportamento é como um elefante pisando em formiguinhas”.
“Posso estar enganada, mas vejo as outras nações de braços cruzados. O que será que está realmente acontecendo? O que esta fumaça toda está embaralhando a nossa visão? O que não vemos, o que nos é oculto? Quantas nações têm interesse neste conflito? Sei bem o que uma mídia pode fazer. Já residi na Europa e concluí como as notícias são filtradas e manipuladas”.
Apesar da aflição, Eunice mantém a fé: “da minha parte cabe orar. Orar pela minha segunda nação, minhas raízes, minha estória! Deus socorra o povo ucraniano!”
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 25 de Fevereiro de 2022, às 11:14