Flori questiona CUT por não fazer greve em Porto Velho, onde o prefeito age como ele quanto ao reajuste
Em duas entrevistas em sequência (uma em rádio, outra em TV), concedidas nesta terça-feira, o prefeito de Vilhena, Delegado Flori (Podemos) abordou a greve dos professores municipais que sua administração está enfrentando desde o dia 09 de agosto.
No programa “Balanço Geral” (da SIC TV/Record) e no “Vale Tudo” (da Plan FM) Flori voltou a relacionar a paralisação à ação de “vereadores politiqueiros”, mas sem citar nomes. Em ambas as emissoras, as questões levantadas foram praticamente as mesmas.
Sobre o pedido dos professores, para que o reajuste de 14,95% seja pago a toda a categoria, Flori disse que o aumento custaria R$ 16 milhões por ano. O prefeito revelou que atualmente, os recursos que o município recebe do Ministério da Educação através do Fundeb, vão integralmente para pagar salários dos educadores. “E não sobra nada para melhorar as escolas”, argumenta.
O mandatário fez uma revelação surpreendente: disse que, dos R$ 75 milhões que o então prefeito Eduardo Japonês deixou em caixa, ele recebeu apenas R$ 20 milhões. E contou que mantém esse montante nos cofres municipais, mas ao invés de usá-los para remunerar os professores, optará por investi-los na saúde.
Sobre a situação salarial dos educadores, Flori disse que ninguém da categoria recebe menos do que R$ 4.500,00 líquidos, e que sua gestão não tem obrigação de garantir o mesmo percentual de R$ 14,95% para quem tem salários maiores. Deixou claro, portanto, que não atenderá a principal reivindicação dos grevistas.
Numa das entrevistas, Flori ironizou a vinda de um representante da CUT de Porto Velho para Vilhena a fim de apoiar a greve municipal. “A capital não deu aumento para professores em efeito cascata. Lá, o prefeito deu o reajuste apenas para quem tinha salários abaixo do piso do magistério. E por que a CUT não deflagrou greve lá e está apoiando a paralisação aqui?”.
Outra declaração do prefeito, e que chamou a atenção nas duas entrevistas, é a versão dele, que diz ter ouvido que os próprios grevistas teriam confessado que a categoria encerrará o movimento na próxima segunda-feira, para voltar 100% as escolas. Essa decisão teria sido tomada após a justiça conceder liminar determinando que 80% dos professores retomem as aulas.
“Mas por que esperar até segunda-feira, se todos têm ciência do que diz a liminar?”, questionou, classificando como “maldade” a estratégia de adiar o retorno ao trabalho, prejudicando os alunos e suas famílias.
DESGASTE POLÍTICO
O líder vilhenense, que tem apenas mais um ano e meio de mandato, reconheceu publicamente que o embate que tem travado afeta sua popularidade, mas não demonstra arrependimento: “tive mais de 30 mil votos foi para fazer a coisa certa, não para ficar dando tapinhas nas costas de ninguém”.
Sobre a possibilidade de abertura de uma CPI para investigar a alegação de que o município não tem dinheiro para conceder o reajuste aos professores, o prefeito reagiu: “bastava me mandar um ofício, ao invés de gastar dinheiro com uma CPI que só servirá de palanque para quem está interessado em disputar as próximas eleições”.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 22 de Agosto de 2023, às 15:53