Isabelle nasceu no interior do Rio Grande do Sul e veio aos 02 anos para Mato Grosso
Na esteira da polêmica envolvendo um concurso de beleza realizado em Rondônia, e que acabou virando caso de polícia (ENTENDA AQUI), o FOLHA DO SUL ON LINE entrevistou, por telefone neste sábado, 21, a atual Miss Mato Grosso, Isabelle Castro. Detalhe: ela é uma mulher trans.
Nascida em Santa Cruz do Sul (RS), Isabelle veio com os pais ainda criança para Mato Grosso, onde a família tentaria a sorte em garimpos. Hoje, aos 28 anos, a maquiadora respeitadíssima em Cuiabá (MT) é independente financeiramente e aprendeu a lidar com o preconceito.
“Infelizmente, muita gente apenas aceita, mas não apóia. Aceitar é conviver, mas apoiar é não ter problemas em contratar uma mulher trans como babá de seu filho”, explica a gaúcha, acrescentando que o que falta atualmente às pessoas para lidar com esse tipo de situação é “ter respeito”.
Eleita Miss Cuiabá no ano passado, a profissional da beleza foi escolhida por aclamação (por não haver tempo hábil para a eleição) representante de Mato Grosso no Miss Brasil. A competição aconteceu este ano em Santa Catarina e ela saiu da passarela com a 8ª colocação.
Isabelle explica que, desde criança, sempre se sentiu aprisionada num corpo masculino. Aos 18 anos, começou o processo de transição, com cirurgias e hormônios, para assumir sua nova identidade de gênero. O doloroso processo, que incluiu pelo menos 04 cirurgias, durou cerca de 05 anos.
“Não mudei meu corpo para agradar ninguém, o que fiz foi para eu mesma me sentir bem”, garante, argumentando que “tudo evolui” e questionando porque muitos ainda resistem às mudanças. “Ninguém mais usa aqueles telefones do tipo ‘tijolão’ ou anda de carroça. A evolução é sempre bem vinda”.
De uma família evangélica rígida com os costumes, a miss garante que jamais foi rejeitada pelos parentes: “eles seguem a Bíblia e ensinam o que é certo e errado, mas não fazem julgamentos”.
O fato de ser a maior representante da beleza feminina num Estado e em uma cidade conservadores não abala a jovem, que além de trabalhar em um salão, também se dedica a causas sociais: ela ajuda em ações de arrecadação para crianças que se tratam no Hospital do Câncer. Entre os trabalhos beneficentes está a realização de um bazar anual, cuja arrecadação vai toda para a entidade.
Sobre o concurso rondoniense que virou assunto em todo o país, a cuiabana volta a cobrar o que, segundo ela, deve ser dispensado a qualquer pessoa, independente de gênero: respeito!
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Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 21 de Maio de 2022, às 10:46