Na noite de ontem, sob forte temporal, o prefeito Zé Rover (PP) promoveu a “carreta da vitória”. Ao lado da primeira dama de camiseta molhada e de vereadores eleitos, o mandatário desfilou em carro aberto pelas principais avenidas da cidade, acompanhado por centenas de outros veículos.
Entre os que participaram da manifestação festiva, havia eleitores de todos os tipos: os porque acreditam mesmo que Rover é um bom gestor e outros mais felizes com a derrota de Melki do que com o desempenho do vencedor. Também havia empresários doidinhos para fazer negócios com o poder público, dirigentes de entidades que recebem repasses do município e gente interessada em descolar uma boquinha na gestão do progressista.
Esta última categoria, por ser mais numerosa, é a maior ameaça à futura gestão de Rover. São pessoas que se orgulham em dizer que não venderam o voto, mas fizeram barulho na carreta para apresentar a fatura e cobrar pelo apoio dado. O pagamento exigido é uma colocação na folha de salários, de preferência sem precisar derramar uma gota de suor.
Rover dispõe de uma ferramenta certeira para resolver esse problema: ao invés daqueles concursos públicos avacalhados, que lhe renderam desgaste político e foram parar na polícia por suspeitas de fraudes, que se faça certames justos, nos quais sejam aprovados quem realmente está apto para se tornar servidor municipal.
Eis, portanto, o desafio do alcaide, reeleito com votação consagradora: aprender a dizer não a quem ameaça consumir os recursos que devem ser aplicados em obras e investimentos que melhoram a vida de todos. Dono da caneta, Rover tem a chance de mostrar quem manda. Vai encarar?