Em entrevista concedida ao vivo hoje, durante o programa “Vale Tudo”, transmitido pela rádio Planalto AM, o ex-prefeito Melki Donadon (PTB) voltou a fazer denúncias contra seu arquiadversário, Zé Rover (PP). Donadon manteve o tom cordial, mas não poupou o atual prefeito, a exemplo do que havia feito em entrevista a outra emissora um mês atrás.
O petebista analisou o resultado da última eleição, na qual foi derrotado por Rover, e disse que o fato de participar da disputa concorrendo subjudice acabou lhe prejudicando. Mas fez um desabafo: disse que não teve oportunidade de defesa em nenhuma das ações que o deixam com os direitos políticos suspensos. “Pegaram provas emprestadas de outros processos e não ouviram as minhas testemunhas. Na verdade, eu nem pude me manifestar”, disse, acrescentando que suas condenações foram orquestradas” para tira-lo do páreo não só da política local, mas nas disputas estaduais. Queixou-se ainda de um panfleto distribuído às vésperas do pleito e atribui a produção do material a adversários que, acredita, serão punidos pela justiça por causa da trapaça. Nos impressos, era veiculada a informação falsa de que Donadon havia renunciado à candidatura para apoiar seu ex-vice, Jandir Ferreira (PMDB).
Um surpresa das declarações de Melki foi o reconhecimento público de que seu primo, Marlon Donadon, a quem elegeu em 2004, “não fez num bom mandato”. O ex-prefeito disse, no entanto, já ter pago a conta por essa escolha.
Ao criticar Rover, Donadon apontou o excesso de cargos na administração municipal. “Quando o Marlon entregou o governo, eram 500 portarias, que nesta administração chegaram a 1.100”, cutucou, relacionando o exagero à falta de recursos para áreas essenciais, como saúde e educação.
Melki também criticou a retenção de recursos repassados pelo Governo Federal: disse que há cinco meses o município fica com a verba que deveria manter o funcionamento do Instituto do Rim. E lembrou que Rover pode ser penalizado por “apropriação indébita”, já que recolhe a contribuição do funcionalismo mas não repassa os valores ao Instituto de Previdência Municipal de Vilhena (IPMV).
Sobre os boatos de que poderia disputar eleições em outro município, Melki garantiu: vai continuar na cidade e tentar se livrar dos processos para voltar o mais rápido à vida pública local.