Presidente da Casa argumentou que prefeito é quem deve ser convocado
Durante mais de 3 horas, a secretária municipal de Saúde de Vilhena, Weslaine Amorim, respondeu aos questionamentos dos vereadores sobre diversos temas ligados à Pasta que ela administra. O principal motivo para o convite a secretária para comparecer hoje à Sessão Legislativa desta terça-feira, 12, foi o atraso na obra de reforma da Unidade Básica de Saúde do bairro Cristo Rei. Mas, questionamentos diversos foram feitos.
À frente do cargo há cerca de 90 dias, após diversas trocas na Pasta, a atual secretária não deixou pergunta sem resposta, embora tenha sido, na avaliação de alguns vereadores, evasiva no esclarecimento de certas questões.
Ao elaborar a pergunta sobre a obra de reforma da UBS Cristo Rei, o vereador Donathan Pagani citou que em uma reunião das comissões permanentes do Legislativo Municipal, a secretária teria se comprometido a, em caso da não liberação da verba federal no prazo de 30 dias, a prefeitura iria assumir a obra e concluir a reforma com verba própria. Prazo que, segundo o vereador, já expiroue a obra continua parada.
Em sua resposta, Amorim negou que tenha firmado qualquer compromisso naquela reunião, bem como negou outra fala que lhe foi atribuída pelo vereador, de que ela teria dito a servidores da UBS Cristo Rei, que está funcionado em um prédio alugado e que não oferece boas condições nem para quem busca atendimento, nem para quem trabalha no local, que o dinheiro para conclusão da reforma já estaria na conta.
“Naquela reunião eu não dei prazo. Não saiu da minha boca qualquer promessa de prazo”, disse a titular da Semus que afirmou que ontem, segunda-feira 11, deu início ao processo para que a prefeitura assuma a obra. E prometeu, num prazo de 15 dias, necessários, segundo ela, para um parecer da controladoria, enviar a documentação que comprova que a obra será finalizada com recursos próprios do município.
Sobre outra UBS em reforma, o Postinho Leonardo, que tinha previsão para conclusão este mês, a secretária afirmou que visitou a obra recentemente e afirmou que ela não será concluída no prazo previsto. “Serão necessários pelo menos mais 120 dias, a obra está crua ainda”, disse.
Pedrinho Sanches (Avante) criticou a decisão de mudança do Pronto Socorro do Hospital Regional para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e também a contratação de uma empresa privada para administrar o PS. Afirmou que inúmeras denúncias de mau atendimento e até de supostas negligências médicas chegam com frequência aos vereadores, que têm enfrentado dificuldades para fiscalizar as atividades na UPA; e questionou que ações a Secretaria de Saúde tem tomado para resolver esse problema. Também quis saber quando será concluída a reforma do Hospital Regional.
A secretária afirmou que vai com frequência à UPA em diferentes horas para acompanhar com está o atendimento e disse que tentou interromper o contrato com a empresa, mas que não conseguiu. Ela disse também que o contrato com a empresa administradora do Pronto Socorro termina no meio do ano e que não é intenção da sua Pasta renová-lo. Weslaine não precisou um prazo para o fim da reforma do Hospital Regional, mas deu a entender que mesmo após a reabertura do local, o Pronto Socorro deve continuar no UPA.
Ainda sobre a empresa que administra o Pronto Socorro, Samir Ali (Podemos) quis saber sobre a denúncia do aumento de encaminhamentos para outras cidades, o que estaria beneficiando médicos que moram em Cacoal e Porto Velho, que estariam indo de “carona” nessas ambulâncias e ainda recebendo diárias para isso. Segundo o vereador, os encaminhamentos, que são decididos pela empresa administradora, estariam “coincidindo” com a ida desses médicos para as suas cidades.
Citando uma série de fotos que foram enviadas a ele e que mostram uma funcionária da empresa administradora do Pronto Socorro dentro da Secretaria Municipal de Saúde, supostamente acompanhando as decisões e planejamentos da Pasta, Samir Ali quis saber de Weslaine Amorim qual a natureza do relacionamento dela com a funcionária em questão e com a empresa.
Amorim, embora tenha citado que quando era diretora do Hospital Regional teria testemunhado e evitado um episódio como o citado pelo vereador, no qual, uma médica que morava em Porto Velho e que acabara de sair de um plantão e que iria para a capital aonde teria plantão no dia seguinte, faria o acompanhamento de um paciente. “Eu não deixei, pedi para que ela saísse da ambulância e determinei que o acompanhamento fosse feito pelo médico que estava assumindo o plantão”, afirmou Amorim, sem deixar claro se a empresa foi notificada por essa prática.
Sobre a natureza da relação dela com a empresa que administra o Pronto Socorro e com a funcionária fotografada dentro da secretaria, Weslaine Amorim afirmou que não conhece a empresa, pois quando assumiu o a Pasta a firma já havia sido contratada; e que a seu relacionamento com a funcionária da empresa é estritamente profissional.
O vereador Zeca da Discolândia (PSD) fez um questionamento sobre a regulação os exames de tomografia que têm um prazo de espera de no mínimo seis meses. “E o paciente ainda precisa ir para outra cidade, porque não é feito em Vilhena”, afirmou o vereador.
Sobre esse tema, Weslaine revelou que é um exame de média e alta complexidade, de responsabilidade do Estado. Ela afirmou que conseguiu junto a Secretaria de Estado da Saúde mais 35 tomografias por mês para serem feitas em Ji-Paraná; e que está buscando a realização de exames também em Vilhena por meio de convênio do Estado com uma empresa privada.
A vereadora Vivian Repessold (PP) apontou que Amorim está nomeada para dois cargos diversos, Secretária de Saúde e de Integração Governamental, o que, no entendimento da parlamentar, não é permitido e configura crime de improbidade administrativa.
Amorim se atrapalhou na resposta e evidenciou que Vivian Repessold, quando secretária municipal de Educação, também na administração Eduardo Japonês, passou pela mesma situação. Depois, quando questionada se sabia que aquilo configuraria crime de improbidade administrativa, respondeu direto que não.
O presidente da Casa, vereador Ronildo Macedo (PV), se mostrou mais compreensivo com a secretária e chegou a dizer que ela era “uma vítima” pelas circunstâncias da Pasta e defendeu que ela tivesse um prazo para mostrar serviço. Mas, não mostrou a mesma benevolência com o ex-aliado, o prefeito Eduardo Japonês (PSC). “Temos um prefeito que trocou cinco secretários de Saúde em três anos e meio. Essas trocas não fazem bem para o município. Ninguém consegue desenvolver uma gestão à frente dessa Pasta. E quem paga é o contribuinte. Devíamos convocar o prefeito”, provocou.
Após mais de 3 horas de questionamentos, a avaliação dos vereadores foi a de que a ida da secretária à Casa acabou sendo proveitosa.
Fotos
Autor:
Rogério Perucci
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 12 de Abril de 2022, às 15:09