Presidente do sindicato da categoria fala ao FOLHA DO SUL ON LINE
Na última terça-feira, dia 12 de abril, o Sindicato dos Engenheiros do Estado de Rondônia (SENGE-RO) publicou uma Nota de Repúdio ao Governo do Estado, segundo a entidade, por atitudes discriminatórias contra os engenheiros da SEDAM.
A nota emitida pelo SENGE afirma que no final do ano de 2021, em razão do forte crescimento da arrecadação e a proximidade do ano eleitoral, foram promovidas melhorias salariais merecidas a várias categorias profissionais. Mas, que os engenheiros da SEDAM não teriam sido contemplados como os demais servidores foram.
“O sentimento é de pura discriminação, pois, o que justifica a colossal disparidade de pagar a metade dos vencimentos salariais a profissionais engenheiros lotados na SEDAM, quando comparados a profissionais com a mesma formação em outros setores do governo?”, questiona o SENGE-RO na nota.
O FOLHA DO SUL ON LINE conversou com o Ildefonso Madruga, presidente SENGE-RO e questionou como se configuraria a “postura excludente e discriminatória do Governo em relação à categoria” citada na nota.
“De duas maneiras: externamente, quando comparamos a defasagem de salário e de benefícios entre a Engenharia da SEDAM e a Engenharia de outras secretarias no Estado. Isso está vinculado diretamente ao tratamento diferenciado que é dado a esses Servidores Engenheiros. E internamente, quando avaliamos os desfechos da reformulação do Plano de Carreira dos Servidores que aconteceu no final do ano passado. Onde fizeram uma reformulação que contemplou um pequeno grupo de servidores com reajustes acima de 50% e 100%, enquanto que pra Engenharia, esse reajuste foi de pouco mais de 6%. Dentro da própria Secretaria”, explica.
Madruga ressaltou que a estrutura remuneratória da SEDAM já era definida desde 2011, quando o PCCR foi criado, o que significa que os reajustes deveriam ter sido lineares e proporcionais, respeitando os patamares remuneratórios preexistentes. O que não ocorreu, segundo ele.
“Para melhor elucidação do comportamento excludente e discriminatório basta ler o Diário Oficial do Estado: nele está escrito com todas as letras o tratamento distinto para uma categoria e para outra”, sugere.
Conforme apontou Madruga, é enorme a diferença de vencimentos de engenheiros que atuam na SEDAM em comparação a servidores com a mesma formação, mas que atuam em outras áreas do Governo.
“A diferença é grande. Entre a Engenharia da SEDAM e a Engenharia de outras secretarias, no tange a vencimento básico, por exemplo, a diferença chega a 20%. Enquanto que a produtividade é superior a 300%. Essas diferenças não são razoáveis em lugar algum do mundo”, argumenta.
Para finalizar, Madruga disse acreditar que essa postura do Governo se dá em virtude da falta de visão de médio e longo prazos, e de humanidade da equipe de Governo para com os Servidores. O que, sem dúvida para ele, reflete negativamente tanto no aprimoramento da mão-de-obra, como também na própria imagem do Governo.
“A categoria não descarta a possibilidade de realizar uma operação padrão durante o expediente, com a finalidade de obter apoio da sociedade e, claro, ocasionando diminuição do serviço prestado pelo Estado. Segunda-feira próxima (18 abril) temos reunião com o Secretário de Estado da SEDAM e temos convicção que chegaremos a um bom termo, o atual Governo tem demonstrado bastante sensibilidade em nossas reivindicações e especificamente nesta é uma reivindicação mais do que justa”, ponderou.
CONFIRA A ÍNTEGRA DA NOTA:
NOTA DE REPÚDIO
AO GOVERNO DO ESTADO POR ATITUDES DISCRIMINATÓRIAS CONTRA OS ENGENHEIROS DA SEDAM
Os engenheiros servidores da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental – SEDAM – vêm manifestar a sua indignação e repúdio em decorrência da postura excludente e discriminatória à categoria.
A economia do Estado de Rondônia baseia-se principalmente no agronegócio e na exploração de recursos naturais, e, como sabido, esses são primordiais para o crescimento econômico e desenvolvimento social. Entretanto, a administração desses recursos deve ser realizada com respeito ao meio ambiente, em razão da lei natural e também da lei dos homens.
Ocorre que os atuais governantes aparentam uma visão distorcida, pois, a pauta ambiental tem sido menosprezada repetidas vezes, refletindo na valorização dos servidores desse setor. Ao final do ano de 2021, em razão do forte crescimento da arrecadação e a proximidade do ano eleitoral, promoveram-se melhorias salariais merecidas a várias categorias profissionais.
Entretanto, a SEDAM ficou relegada, aparentemente em segundo plano. Os servidores mais marginalizados são os vinculados ao sistema CREA/CONFEA, que tiveram uma melhoria salarial de 6,45% por uma espera que vem desde o ano de 2014.
O sentimento é de pura discriminação, pois, o que justifica a colossal disparidade de pagar a metade dos vencimentos salariais a profissionais engenheiros lotados na SEDAM quando comparados a profissionais com a mesma formação em outros setores do governo?
Não menos importante, o PCCR aprovado em dezembro de 2021, com as poucas melhorias à carreira dos engenheiros da SEDAM, encontra-se sem regulamentação, não produzindo efeitos, e, ao contrário, gerando diminuição nos vencimentos dos ditos engenheiros quando comparados ao ano de 2021.
Assim, o SENGE vem expor à sociedade e aos membros de controle de atos do Poder Executivo que a engenharia da SEDAM tem sofrido discriminação salarial, em razão de uma visão míope de governantes que entendem que valorizar o agronegócio significa marginalizar os servidores engenheiros da SEDAM.
Sindicato dos Engenheiros do Estado de Rondônia
Autor:
Rogério Perucci
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 16 de Abril de 2022, às 09:40