Um grupo expressivo de filiados ao Partido dos Trabalhadores, o PT, de Corumbiara pediu desfiliação da legenda no último dia de fevereiro, 28. A razão, segundo os próprios dissidentes, é a falta de harmonia que a agremiação está tendo entre os filiados do município.
Cerca de oito militantes já entregaram seus pedidos de desfiliação à Justiça Eleitoral. Apesar de parecer que são poucos os dissidentes, o impacto no partido em Corumbiara será grande. A sigla tem somente cerca de 150 filiados e muitos destes não estão mais engajados nas causas da legenda.
Além disso, a saída do grupo é considerada dramática porque o atual presidente do PT, Josias Antonio de Almeida, conhecido como Josa, também pedi sua desfiliação, conforme mostra a reprodução do ofício que ilustra esta matéria (FOTO). Josa esteve à frente da luta do partido na última campanha eleitoral no município.
O petista Vagner Meira, que concorreu à prefeitura no último pleito, não está no grupo. Terezinha do Sindicato, que concorreu na chapa como vice, também vai permanecer no PT.
O ex-vereador João Ribeiro, o Joãozinho, irmão do vereador Nelinho, assassinado em 1995 e que é o maior mártir do petismo corumbiarense, também permanece no partido. Além disso, Joãozinho, que ocupou a vaga de vice-prefeito no último mandato de Silvinho Boaventura, do PTB, também é alvo de reclamação do grupo dissidente.
Segundo os dissidentes, o motivo da revoada é a falta de harmonia dentro da própria sigla. “Falta organização no nosso grupo. Nós perdemos a última eleição porque não conseguimos nos organizar”, diz José Vilson Gomes, que chegou a disputar um cargo de vereador pelo partido, mas não se elegeu. E complementa: “Conseguimos eleger só um vereador nesta campanha. Poderíamos ter três vereadores na Câmara e mais a prefeitura, como titular ou como vice”.
Os dissidentes também reclamam que há um grupo de filiados em Corumbiara que se consideram “donos” do partido. “Eles não deixam ninguém mais ocupar um espaço e trabalhar em conjunto, entende?”, diz um militantes que pediram a desfiliação.
O partido fez história em Corumbiara. Na década de 1990, na semana seguinte ao massacre dos sem-terra, os petistas corumbiarenses chegaram a receber a visita histórica no próprio presidente nacional do partido, Luís Inácio Lula da Silva, que se elegeria presidente da República em 2002.