“Era pneumonia que se agravou pela descoberta tardia”, diz avó da criança
 
Uma família de Vilhena acredita que um erro médico, causado por suposta negligência, teria sido o principal fator que levou um menino de 2 anos e 5 meses a ser internado, inicialmente no Hospital Regional de Vilhena, e depois transferido para uma unidade hospitalar na cidade de Cacoal, onde ainda permanece, acompanhado pelos pais.
 
O FOLHA DO SUL ON LINE conversou com Ani Mari Tomazelli, e Marisa Barbosa Novais, avós do pequeno Hyoran, que acompanharam, junto com mãe da criança, a evolução do problema até a transferência do menino para Cacoal. Conforme as avós, foram quase 30 dias de idas e vindas à UPA com a criança (que tem transtorno do espectro autista) apresentando sempre uma piora no quadro clínico.
 
Na primeira ida à UPA, segundo Marisa, avó materna, a criança foi atendida por uma médica e recebeu diagnóstico de infecção de garganta. Foi receitado um antibiótico e a criança mandada para casa. No entanto, alguns dias depois, como os sintomas persistiam, ele foi levado novamente à unidade de saúde, onde outro médico deu o mesmo diagnóstico, trocou o antibiótico e mandou a criança para casa.
 
Em casa, tomando a segunda leva de antibióticos, Hyoran piorou. Novamente foi levado pela mãe e pela avó para a UPA próxima de sua casa, no Parque São Paulo. “Relatamos ao médico que era a terceira vez que ele precisava de atendimento num curto espaço de tempo e pedimos, eu e minha filha, que meu neto fosse internado e que exames fossem feitos para saber o que estava acontecendo com ele”, disse a avó.
 
Neste dia, conforme a avó, a criança apresentava secreção no ouvido e o médico que o atendeu deu um diagnóstico clínico de que se tratava de uma Otite, uma infecção de ouvido; e que os antibióticos receitados anteriormente fariam efeito.
 
Mariza lembra que, diante da insistência delas quanto à necessidade de internação da criança e do imperativo da realização de exames para um diagnóstico mais preciso, o médico teria dito para ficarem calmas. “Ele nos disse que o antibiótico iria fazer efeito, receitou um medicamento contra a dor e nos mandou ir para casa”.
 
O garoto dormiu bem aquela noite sob o efeito do remédio contra as dores. Mas, acordou com febre e com secreção do ouvido. Como não houve nenhuma melhora ao longo do dia, a mãe retornou com Hyoran novamente à UPA. As avós acompanharam mãe e filho. Conforme Ani Mari, avó paterna, o médico que atendeu seu neto não era um pediatra e que fez um atendimento inicial superficial sem sequer tocar na criança, ouvir a frequência cardíaca e respiratória, nem examinar o ouvido do menino.
 
 Ani Mari alega que somente depois de muita argumentação é que o médico mudou a forma de atendimento e ouviu o pulmão da criança, pedindo um Raio-X em seguida e determinando a internação de Hyoran,  que ficou na UPA até o dia seguinte, pois não havia leito vago no Hospital Regional.
 
Conforme Ani Mari, no Hospital Regional a pediatra pediu uma tomografia dos pulmões da criança. O resultado mostrou que o pulmão direito e parte do esquerdo estavam comprometidos. “No Hospital Regional foram todos muito atenciosos. Tão logo revelamos que o Hyoran é autista, eles providenciaram um quarto separado, o que ajudou para que ele se acalmasse”, revelou a avó.
 
Com o resultado da tomografia, a pediatra decidiu por uma transferência urgente para Cacoal. “A decisão dela foi pela gravidade da situação e pelo fato do Hospital Regional não ter uma UTI infantil”, contou Ani Mari.
 
Hyoran teve diagnósticos de pneumonia complicada, mastoidite e sinusopatia. Ele deu entrada no dia 07 de abril no Hospital de Cacoal e permaneceu na UTI até o dia 14, quando foi transferido para um leito da enfermaria infantil. Seus pais, Andryl e Nathália se revezam ao seu lado. O garoto ainda está internado.
 
A mãe de Nathália, Marisa, lamenta que o diagnóstico não tenha sido feito mais cedo. “Era pneumonia que se agravou pela descoberta tardia. Meu neto não precisaria passar pelo que passou e ainda está passando se tivesse recebido a atenção necessária nas primeiras vezes que foi à UPA”, lamentou.