Mauro Batista Boy, que está preso deste abril do ano passado, cumprirá 5 anos no regime semiaberto
 
Terminou pouco depois das 15h00 desta quarta-feira, 28, o julgamento do morador de Chupinguaia que em 2021 matou a golpes de canivete o homem que teria molestado sexualmente seu filho adolescente (RELEMBRE AQUI)
 
Conforme apurado pela FOLHA DO SUL ONLINE na época dos fatos, a vítima, Gironaldo Rodrigues dos Santos, 49 anos, que era açougueiro e conhecido como “Boneco”, teria, pouco mais de um ano antes, aliciado o filho de Mauro Batista Boy e molestado sexualmente o adolescente. O caso foi denunciado ao Conselho Tutelar de Chupinguaia, que registrou, juntamente com os pais do garoto, uma queixa junto a Polícia Civil.
 
Na ocasião, Gironaldo chegou a ser detido e trazido para Vilhena. Mas, sem flagrante, foi posto em liberdade. Os celulares foram apreendidos para serem periciados. O que não ocorreu. 
 
Conforme consta nos autos, na madrugada do dia 29 de novembro de 2021, após se encontrarem em um bar na cidade de Chupinguaia, Mauro, Gironaldo e outros dois homens foram em direção ao distrito do Guaporé para, segundo descrevem os autos, continuarem a diversão. Na altura do 33 da RO-391, no acesso ao distrito de Novo Plano, eles pararam. Foi neste local que Mauro assassinou Gironaldo.
 
As versões do réu e das testemunhas sobre o que pode ter acontecido nos instantes que precederam o ataque são distintas. Conforme Mauro, que se apresentou à polícia em abril de 2021 e confessou o homicídio, enquanto urinavam, Gironaldo o teria provocado, relembrando o que ele teria feito com o seu filho e afirmando que voltaria a fazer. Conforme Mauro, essa provocação o levou a golpear o açougueiro, que morreu no local.
 
O Ministério Público pediu a condenação do réu conforme a denúncia: homicídio duplamente qualificado por motivo torpe, no caso vingança; e por recurso que impossibilitou a defesa da vítima; o MP entendeu que o réu usou de dissimulação ao alegar que iriam para o Guaporé, para levar a vítima até aquele local ermo para o matá-la.  
 
Já a defesa, patrocinada por uma banca composta por quatro advogados, sustentou a tese de homicídio privilegiado. Para a defesa, Mauro agiu sob o domínio de violenta emoção ao ouvir as provocações de Gironaldo relacionadas ao seu filho.
 
Os advogados também pediram a exclusão das qualificadoras. Conforme a banca, a qualificadora de motivo torpe por vingança não apresentava sustentação, pois o caso havia ocorrido mais de um ano depois do assédio ao menor, e reafirmou que o motivo para o crime foi a provocação da vítima em relação ao abuso contra o filho de Mauro.
 
No meio da tarde, a juíza-presidente leu a decisão do Tribunal do Júri, hoje formando por seis homens e uma mulher. A decisão foi pela condenação do réu pelo crime de homicídio simples, afastando as qualificadoras e reconhecendo a tese de homicídio privilegiado. A pena imposta a Mauro, que já está preso há 14 meses, foi de cinco anos no regime semiaberto.