Justiça concede guarda de crianças a família da mulher assassinada
 
Por telefone, o FOLHA DO SUL ON LINE entrevistou, no início da noite desta sexta-feira, 20, Ademir da Silva, irmão da autônoma Elisama da Silva Macedo, que 10 dias atrás encontrada morta dentro de sua casa, no bairro 5º BEC, em Vilhena, com uma faca cravada no pescoço.
 
O principal suspeito de cometer o crime brutal é o marido de Elisama, que foi encontrado esfaqueado na barriga no mesmo dia do feminicídio. O homem de 33 anos estava ferido e ensanguentado nos arredores da cidade, onde foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros, e passou por cirurgia no Hospital Regional (LEMBRE AQUI).
 
Já de alta, o suspeito foi transferido do hospital para a Casa de Detenção. Ele continua negando ser autor do crime, e mantém a versão de que foi ferido e a esposa morreu pelas mãos de assaltantes que invadiram sua casa.
 
Na conversa com o site, o irmão de Elisama, que tem 33 anos, é empresário e está residindo atualmente em Ji-Paraná, disse que a família veio de cidades de Mato Grosso para Vilhena mais de 15 anos atrás. Eram três mulheres e quatro homens, antes da morte da autônoma, que representava uma marca de óleos essenciais e tinha uma loja virtual de roupas.
 
Para a família, explica o entrevistado, os indícios encontrados pela polícia até agora apontam para o marido como provável autor da crueldade. O que poucos conseguem imaginar é a motivação, já que o casal vivia muito bem. “A gente nunca soube de nada errado dele e o tratávamos como irmão”, revela o empresário.
 
Mas existem alguns pontos que despertam curiosidade na trajetória do principal suspeito, que se aposentou por invalidez quando trabalhava em uma usina e sofreu uma lesão grave no braço, resultado de um acidente alguns anos atrás. Desde então, ele operava na Bolsa de Valores.
 
Recentemente, o acusado criou uma empresa e deixou de operar em nome da esposa, depositando na conta da nova firma o dinheiro que estava na conta dela. Ele também teria pegado valores junto a investidores para aplicar na Bolsa.
 
Para a família, Elisama pode ter descoberto algum fato que o marido tentava esconder, como um prejuízo nas operações financeiras, e por isso teria sido eliminada. “Ela era muito correta com as coisas e não aceitaria nada errado”, garante o irmão, que disse que, apesar das suspeitas, irá aguardar a conclusão das investigações.
 
Disposta a fazer justiça à memória da vítima da brutalidade, a família já contratou o criminalista Jacier Dias, que está acompanhando o caso. Se o marido ou outras pessoas forem denunciados após a conclusão do inquérito policial e levados a júri popular, Jacier atuará como assistente de acusação junto com o Ministério Público.
 
Através de pedido feito pelo advogado que atua no caso, a justiça concedeu hoje a guarda provisória dos três filhos deixados por Elisama, com idades de 09 meses, 02 e 09 anos, para um familiar dela.