“Nós não queremos que os serviços de urgência e emergência sejam prejudicados por nossa causa”
Em uma reunião do Sindicato Médico de Rondônia (SIMERO) com os médicos concursados da Prefeitura de Vilhena, durante a qual foram debatidas reivindicações como melhoria salarial e condições de trabalho, ficou decidido que a categoria irá fazer uma paralisação.
Conforme as lideranças da categoria, os médicos concursados vêm com um déficit salarial dede 2014. “Para chegar a essa reunião ontem, foi depois de quatro meses de conversa, tanto com o Poder Executivo quanto com o Legislativo, na tentativa de evitar que se chegasse ao ponto de pararmos”, disseram.
Segundo os médicos, a paralisação é também por melhoria da saúde de Vilhena, e será feita de maneira coordenada, juntamente com o SIMERO, para que não haja prejuízos à população. “Nós não queremos que os serviços de urgência e emergência sejam prejudicados por nossa causa, de forma alguma. Nós vamos nos organizar para manter os serviços essenciais. Mas, a paralisação é uma forma da gente cobrar o que até hoje não foi oferecido pelo município, tanto no quesito salarial quanto na melhoria da saúde”, ponderaram.
Sobre o PCCS que deve ser votado pelo Câmara Municipal de Vilhena em sessão extraordinária marcado para a noite desta quinta-feira, 09, os médicos, embora entendendo que a proposta não estivesse coerente, não opuseram ao seguimento do projeto por entenderem uma eventual estagnação da matéria prejudicaria muita gente. “Tem muito funcionário público em Vilhena que está com o salário defasado, e não seríamos nós que iríamos atrasar ainda mais o trâmite do projeto, ainda que não estivesse a nosso contento”, disseram.
Hoje, segundo os médicos, a categoria agora aguarda a orientação do Departamento Jurídico do SIMERO para definir os próximos passos. “OS advogados do SIMERO irão nos passar como deve ser feito conforme a lei, porque não queremos fazer uma paralisação que leve prejuízos à população, nem que amanhã o juiz mande a gente voltar ao trabalho. Queremos uma cosa legal, porque se fosse paralisar por paralisar, teríamos feito isso há quatro meses”, explicaram.
Por fim, os médicos fizeram um desabafo: “o que nos deixa constrangidos é que as pessoas que agora se organizam para uma paralisação são todos médicos efetivos e com anos de atuação em Vilhena. Enquanto que empresas terceirizadas vêm, fazem o mesmo trabalho que nós, com a mesma carga horária, e recebem muito mais do que a gente”, disseram.
Os médicos se referem aos colegas terceirizados que atuam no UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e que recebem um salário que é 270% maior, segundo eles.
Por fim, as lideranças ressaltaram que o salário oferecido aos médicos pela Prefeitura de Vilhena não é atrativo para os profissionais de nenhuma especialidade. “É por isso que Vilhena se encontra, e não é um problema apenas dessa administração, já vem de anos, com déficit em relação as Cacoal na área de saúde” apontaram.
Autor:
Rogério Perucci
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 09 de Junho de 2022, às 18:37