Máximo também falou de novo sistema que oferecerá especialidades em todos os municípios de Rondônia
Visitando os municípios do Cone Sul do Estado, o ex-secretário de Saúde de Rondônia, Fernando Máximo, esteve em Vilhena na semana passada, e em passagem pela redação da FOLHA DO SUL ONLINE, confirmou que deixou a Sesau para ser pré-candidato a uma cadeira na Câmara dos Deputados.
“Eu fiquei três anos e três meses à frente da Secretaria de Estado da Saúde, dos quais, dois foram de guerra, de pandemia da Covid-19. Tivemos muitas angústias, muitas dificuldades, muitos problemas; mas também tivemos muitas conquistas, muitas bênçãos, muitas vidas salvas”, analisou.
Máximo recorda que no começo foram muitos momentos de angústias, não se sabia como diagnosticar a doença, quais sintomas eram importante serem avaliadas e até que tipo de medicamento utilizar.
“Era uma guerra de informações e a gente ficava numa situação complexa, porque estava vivendo o dia-a-dia, a gente estava dentro das UTI’s vendo as pessoas em estado grave, intubadas, algumas falecendo; e a gente tendo que dar a notícia para as famílias. Isso nos angustiava muito. Não saber naquele momento como agir, não ter uma receita de bolo, nada escrito, nenhum compêndio dizendo exatamente como se deveria tratar esse paciente, como se deveria fazer. Era um caminho escuro pra seguir. Era como entrar em uma rua escura dirigindo com os faróis apagados em alta velocidade. E você tinha que estar em alta velocidade, porque o vírus estava em alta velocidade atingindo as pessoas”, citou.
Para Fernando Máximo, embora as vacinas contra o Coronavírus tenham pouco tempo de estudo, e mesmo que os pesquisadores ainda tenham conseguido desenvolver uma vacina que consiga durar um ano inteiro, “não há qualquer dúvida de que elas salvaram muitas vidas”.
“Nós observamos dentro das UTI’s, quando começamos a vacinar, lá em março de 2021, que as pessoas que eram vacinadas iam sumido dessas UTI’s. Os primeiros a desaparecerem das UTI’s foram os profissionais de saúde. Elas continuavam cheias, mas os profissionais de saúde que haviam sido vacinados não estavam mais sendo internados na UTI. Depois foram os idosos, e assim por diante, de acordo com o grupo que ia sendo vacinado, até chagar aos mais jovens e as UTI’s irem sendo esvaziadas. Eu vi isso na prática, ninguém me contou. Eu estava dentro das UTI’s observando isso”, pondera.
Um episódio que foi alvo de muita crítica foi a compra, pelo Governo de Rondônia, de um hospital para atendimento de pacientes com Covid-19. Para Máximo, foi a melhor aquisição que o estado de Rondônia fez em todos os tempos de prédio.
“O hospital de campanha de lona, que a maioria dos Estados do Brasil comprou, custava R$ 22,8 milhões. Ele é feito de compensado e de lona e, obrigatoriamente tem que ser derrubado em seis meses, está escrito no contrato das empresas que constroem. Porque ele empena, infiltra, pode cair em cima dos pacientes e dos profissionais de saúde. Nós compramos um do mesmo tamanho, ou maior, de alvenaria, que veio com a UTI pronta, com respiradores, com monitores, com camas, com três salas de cirurgia, usina de oxigênio, e um terreno em frente de mais de 1.000 M², por R$ 12 milhões. Hospital que durou a primeira onda, durou a segunda onda, a terceira onda, salvou mais de 2.500 pessoas e hoje está realizando cirurgias eletivas. E vai durar mais 50 anos. Teve estado que fez dois hospitais de campanhas, quase R$ 50 milhões, e já foram derrubados. O nosso está de pé, e vai durar mais décadas salvando vidas. Foi a melhor aquisição que o Estado de Rondônia fez em todos os tempos de prédio, foi o hospital de campanha Regina Paz”, afirmou.
Ainda sobre a aquisição do hospital, em Porto Velho, Máximo aponta: “nós fomos muito criticados porque muita gente queria vender hospital de campanha superfaturado. Dono de televisão, políticos da alta cúpula e empresários queriam lucrar em cima do hospital de campanha e nós não compramos. Hoje, muita gente que inocentemente criticou, parabeniza e elogia. Nós somos reconhecidos em nível nacional por ser o único Estado do Brasil que ao comprar um hospital de campanha não comprou de lona”.
Lidando direta e diariamente com a Covid-19, Fernando Máximo contraiu a doença e ficou dias na UTI. Quando saiu, ainda em recuperação, precisou ir para Goiás onde os pais e um irmão enfrentavam também a doença.
“Foram momentos muito difíceis. Meu pai internado na UTI, meu irmão na UTI e minha mãe internada no mesmo hospital, na enfermaria. Eu tinha acabado de sair do UTI. Tinha acabado de sair do hospital, estava ainda me recuperando, mas fui cuidar deles e graças a Deus todos se recuperaram”, lembra.
Sobre a pré-candidatura a deputado federal, Máximo afirma que a sua vida sempre foi pautada por missões, e esta é mais uma. “Eu sempre fiz trabalho voluntário nas periferias, nas comunidades ribeirinhas, carentes, nos presídios, sempre trabalhei desse jeito como médico. À frente da secretaria tive a oportunidade de ajudar muito mais gente. Agora, depois de muitos pedidos, inclusive do próprio governador Marcos Rocha, sou pré-candidato a uma cadeira na Câmara Federal pra tentar trazer mais recursos, fazer mais convênios para o Estado de Rondônia”, pondera Máximo.
O agora pré-candidato afirma que mesmo em meio a pandemia, foi possível elaborar alguns projetos, como por exemplo, o novo Hospital João Paulo II, em Porto Velho, que deve ficar pronto em dois anos e meio.
“Será um mega hospital que vai mais do que dobrar os leitos oferecidos pelo atual João Paulo II. O velho João Paulo tem quatro salas de cirurgias, o novo terá dez. O velho João Paulo tem dez leitos de UTI, o novo terá 64”, pontuou.
Ainda sobre o novo hospital, Máximo destacou que “é um projeto construído num regime diferenciado, que é comum nas redes privadas de hospitais, mas que no público é o primeiro hospital estadual a ser construído neste regime. Se constrói em muito menos tempo, com muito mais qualidade da obra porque a empresa é obrigada a dar a manutenção durante 30 anos. Isso obriga a empresa a usar os melhores materiais, porque se tiver problemas, além de ter que corrigir, vai pagar multas. E mais: ela só começa a receber depois de construir o prédio”, explicou.
No final da conversa, Máximo fez questão de destacar o que ele chamou de o melhor projeto do Brasil: telemedicina.
“Criamos esse projeto na nossa gestão, convênio com o Governo Federal e Ministério da Saúde. Hoje, em 20 municípios as pessoas já podem se consultar gratuitamente com médicos do Hospital Albert Einstein, o melhor hospital do Brasil. Em sete especialidades médicas: reumatologia, endocrinologia, pneumologia, cardiologia, psiquiatria, neurologia pediátrica e neurologia adulta. Especialidades raras em Rondônia, e por isso existem filas de espera”, disse.
Segundo Máximo, as prefeituras não têm qualquer custo, pois os equipamentos são doados pelo Albert Einstein. Ele afirmou ainda que os municípios de Nova Mamoré, São Francisco, Seringueiras, Buritis, Monte Negro e Campo Novo estão zerando as filas de espera de pacientes dessas especialidades.
“Detalhe: um mês antes de eu sair da secretaria estivemos em Brasília e conseguimos ampliar para os 52 municípios de Rondônia. Vilhena deve estar recebendo até o fim do mês que vem, os equipamentos do Albert Einstein para já atender os vilhenense nessas sete especialidades”, garantiu.
Fotos
Autor:
Rogério Perucci
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 12 de Junho de 2022, às 10:13