Os advogados da primeira-dama de Vilhena, Lizangela Rover, requereram nesta segunda-feira cópia do processo de compra de soja para produção de alimentos realizada em 2009, e vai protocolar na quarta-feira, dia 19, ação por calúnia e difamação contra o jornal que afirmou ter havido superfaturamento na aquisição do produto.
A ex-secretária disse estar indignada com as afirmações feitas no jornal, e principalmente surpresa com a desinformação a partir da qual foram feitas as alegações. A suposta notícia desconsidera, por exemplo, que se trata de soja específica para consumo humano. “Não seriamos irresponsáveis ao ponto de usar, na fabricação de leite e pão, a mesma soja ensacada para exportação. Estamos falando de pessoas e, mais importante, de crianças”, disse Lizangela.
A compra de soja na atual administração municipal em Vilhena aconteceu apenas uma vez, em 2009, durante a entressafra. Desde então o produto adequado ao consumo humano é doado pela Embrapa de Vilhena, depois de ter sido firmada parceria entre a Semas e o órgão federal de pesquisa. De acordo como o pesquisador da Embrapa em Vilhena, Vicente Godinho (À ESQUERDA NA FOTO) , a soja destinada à exportação e aquela usada para a fabricação de alimento são diferentes.
A ex-secretária municipal de Assistência Social e primeira-dama de Vilhena, Lizangela Rover, frisou que além de serem de má-fé, as alegações feitas não levam em conta a preocupação com a saúde das crianças e das famílias que recebem os alimentos a base de soja. “Nós jamais deixaríamos que o pão e o leite deixassem de ser distribuídos. E nem fabricaríamos estes alimentos com soja inadequada. Estamos falando da saúde de crianças”, disse Lizangela.

SOJA PARA CONSUMO HUMANO – Para que seja adequada para fabricar leite ou qualquer outro alimento é necessário que a soja não tenha qualquer tipo de impureza, exatamente como acontece com o feijão e o arroz vendidos em supermercados. “Nenhuma dona de casa daria para seus filhos arroz, ou soja, com sujeira, ou com grãos apodrecidos. O mesmo acontece com a soja que vai para as fábricas de alimentos”, disse Vicente Godinho. Impurezas são admitidas na soja exportada, que passa por classificação no destino. Já a soja para consumo humano deve ser totalmente limpa.
Para alcançar este padrão é necessário passar por um processo de classificação, que onera o custo do produto, e pode elevar em até três ou quatro vezes o custo da soja. Na tarde da sexta-feira, 14, o preço do quilo de soja destinado ao consumo humano, nos supermercados de Vilhena, variava entre R$ 3,98 e R$ 5,69. Também nesta sexta-feira o valor da saca de soja voltada à exportação girava em torno de R$ 75. A diferença é justamente a qualidade de uma e outra, o que determina a adequação para o consumo de seres humanos. Pelo preço praticado nos supermercados a soja voltada para o consumo humano teria o custo, por saca, fixado em até R$ 340,00.

PARCERIA ENTRE SEMAS E EMBRAPA – O pesquisador ainda lembra que ainda em 2009 a Embrapa foi procurada pela Semas em busca de parceria. Com isso foi firmado um termo em que a Embrapa fornece a soja adequada para a produção de leite e pão sem custo algum para a Semas. “A seleção da soja é feita em empresas especializadas aqui mesmo da cidade, e de acordo com a necessidade da prefeitura é repassada”, diz Godinho. Ele ainda explica que esta não é uma parceria comum feita pela Embrapa, mas que foi realizada em Vilhena devido ao alcance social e seriedade das ações realizadas pela Semas na distribuição de alimentos á população de baixa renda.
A ex-secretária da Semas e primeira-dama do município, Lizangela Rover, que intermediou a parceria, destaca principalmente a economia feita pela prefeitura e a disposição e atenção dispensada pela Embrapa de Vilhena. “Durante toda esta administração a Embrapa tem sido uma grande parceira, e exemplo disso é a entrega que faz da soja de alta qualidade para o Centro de Produção de Alimentos”, salientou a primeira-dama.