O momento escolhido pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para denunciar o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) sobre um processo que estava em suas mãos por dois anos causou "estranheza" ao presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp. Renan é candidato à Presidência do Senado -- a eleição ocorre na sexta-feira -- e foi denunciado pelo Ministério Público por suposto uso de notas frias em prestação de contas, em caso que corre no Supremo Tribunal Federal (STF).
"Respeito o Ministério Público e o procurador Roberto Gurgel. É da natureza do Ministério Público (a denúncia), mas causou estranheza o momento. Ele fez a denúncia na véspera da eleição", disse Raupp, ressalvando: "mas, repito, tenho todo o respeito ao Ministério Público". O presidente do partido negou, contudo que haja qualquer constrangimento pelo fato de Renan, o candidato do partido à presidência do Senado, estar envolvido na denúncia.
"Não encontramos nenhuma prova de irregularidade nas acusações contra ele (Calheiros). Por ser o maior partido no Senado, o PMDB tem a prerrogativa de indicar o nome para presidir a Casa. No entanto, os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Taques (PDT-MT) pretendem disputar o cargo na eleição que acontecerá na próxima sexta-feira (01). Renan é o único nome do PMDB na disputa", resumiu Raupp. A bancada do PMDB no Senado vai se reunir na tarde da próxima quinta-feira para indicar oficialmente o nome de Renan para o cargo.