Na contra-mão da reforma psiquiátrica implantada no país há vários anos, o atual governo federal, acompanhado pelos Estados e Municípios, continuam a injetar verbas públicas nas chamadas “comunidades terapêuticas”, geralmente ligadas a denominações religiosas, contrariando o princípio básico da reforma, que é justamente tirar o doente do isolamento e apostar em terapias que agregam tratamento médico e psicológico além do convívio social. Na região existem entidades do gênero atuando – e recebendo dinheiro público, sem o menor controle ou fiscalização, tanto de suas metodologias quanto da correta aplicação das verbas.
Baseadas em “tratamentos” no mínimo questionáveis, onde a doença é encarada muito mais como um problema de caráter e falta de fé em Deus, as comunidades também se utilizam de método denominado “laborterapia”, que na verdade não passa de trabalho não remunerado sob a justificativa de manter o doente “ocupado”. Contando com mínimo suporte científico, ou muitas vezes nenhum, cada comunidade age da maneira que considera adequada, e são comuns casos de humilhações e inferiorização dos doentes, que na verdade precisam elevar a auto-estima como alavanca para tentar a busca de recuperação.
Segundo especialistas, estas organizações não são comunidades e muito menos terapêuticas, e apesar da boa vontade de muitos de seus integrantes em ajudar pessoas que são portadoras da dependência química, atuam de forma equivocada, com índice mínimo de recuperação e até agravando a doença em determinados casos.
Leia no link abaixo reportagem especial publicada recentemente pela revista “Caros Amigos” acerca do debate nacional sobre o caso, que de acordo com a publicação consumiu apenas do governo federal 300 milhões de reais em 2012, dinheiro que será aplicado no sentido contrário ao da luta pelo fim dos manicômios e da humanização do tratamento de dependentes químicos.

http://coletivodar.org/2012/04/nem-comunidades-nem-terapeuticas-reportagem-na-revista-caros-amigos/