Presidente do Sindsul admitiu que a liminar da justiça pode enfraquecer o movimento grevista
 
Terminou sem acordo a reunião entre o prefeito Delegado Flori (Podermos) e os sindicalista Raimundo Nonato Soares, secretário geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Rondônia, e Vanderley Ricardo Campos Torres, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais do Cone Sul (Sindsul), que tinha em pauta o reajuste de 14,95% dos servidores da educação.
 
O FOLHA DO SUL ONLINE conversou com os sindicalistas logo após o término do encontro. Conforme Raimundo Nonato Soares, a CUT veio ao município para tentar chegar a um acordo que colocasse fim ao impasse, o que não aconteceu, segundo o representante da CUT, porque o prefeito está irredutível em sua posição de não negociar.
 
“Fizemos pontuações para ele, que nem que seja parcelado, pague o piso dos servidores. A CUT vem aqui propor negociação para a gente tentar resolver esse impasse. Mas, o prefeito não quer negociar e diz que o município não tem condição financeira de arcar com o reajuste. É sempre assim né? O trabalhador para conseguir aumentar o seu salário tem que, muitas das vezes, parar suas atividades e fazer greve”, disse o sindicalista,  que aproveitou para pedir apoio da sociedade aos professores como forma de pressionar o prefeito para uma resolução do impasse.
 
Conforme o sindicalista, a CUT veio com uma proposta de parcelamento, como já aconteceu no município de Cacoal. Raimundo Nonato afirmou que a entidade veio disposta a ouvir a proposta do prefeito para esse possível parcelamento que seria submetida a categoria, mas Flori se manteve irredutível em sua posição de não negociar. “A gente o deixou à vontade para ele apresentar a alternativa dele, porque ele é o Poder Executivo e poderia apresentar uma proposta de qual forma poderia pagar o piso. Mas, não houve proposta”, lamentou Raimundo Nonato. 
 
O representante da CUT disse que saiu frustrado da mesa de negociação. “A gente apresentou alternativa, uma proposta para resolver o problema, resolver o impasse, mas a alegação do prefeito é sempre a mesma: a de que não tem condições de pagar o piso, quando a gente sabe que Vilhena está entre os municípios de Rondônia que mais arrecadam. Acho que falta vontade política de resolver os problemas referentes a Educação”, apontou.
 
O entendimento da CUT é o mesmo do Sindsul, o de que o prefeito de Vilhena está cometendo crime de responsabilidade, pois estaria descumprindo uma lei federal que determinou o aumento de 14,95% ao magistério, e uma lei municipal que instituiu o Plano de Carreiras, Cargos e Remuneração (PCCR) da categoria.
 
“A medida que você descumpre uma lei federal e uma lei municipal, você responde ao crime de responsabilidade. Será que o perfeito quer é isso para ele? Eu não desejo isso para ele. Eu desejo que os problemas sejam resolvidos, porque quando você descumpre uma lei federal, descumpre a lei municipal, isso gera consequências”, avaliou Raimundo Nonato. 
 
A reportagem conversou também com o presidente da Sindsul.  Vanderley Ricardo lamentou que mais uma vez o prefeito tenha perdido a oportunidade de dialogar e chegar a uma solução para o impasse.
 
Sobre a liminar que ordena que 80% dos professores em greve retornem às salas de aula, Vanderley Ricardo disse que o Sindsul ainda não foi intimado. “Nós ainda não recebemos a intimação, então não vamos, por ora, tomar nenhuma decisão”, pontuou Vandeley Ricardo, que admitiu que a liminar pode enfraquecer o movimento grevista, mas que a luta vai continuar forte. “Com liminar ou sem liminar, a gente vai seguir lutando pelos nossos direitos, inclusive na justiça”, afirmou.
 
Depois da reunião com o prefeito, os representantes da CUT e do Sindsul se dirigiram à sede da segunda entidade, a cerca de 200 metros do Palácio dos Parecis, para passar a situação aos servidores.
 
A FOLHA DO SUL não ouviu o prefeito, Delegado Flori, porque ele deixou o Paço Municipal enquanto a reportagem ouvia os sindicalistas.