Outros dois vereadores cancelaram passagens para o Rio de Janeiro
 
Em texto enviado ao FOLHA DO SUL ON LINE para publicação, o jornalista Paulo Mendes revelou detalhes de um evento que atraiu três vereadoras de Vilhena até Brasília no mês passado. LEIA ABAIXO, na íntegra:
 
Conforme noticiado há poucos dias, as vereadoras Vivian Repessold (PP), Clérida Alves (Avante) e Elenir Salete Zilli, a “Nica Cabo João” (PSC) participaram da 1ª Conferência Nacional de Vereadoras do Brasil, em Brasília, que aconteceu entre 24 e 27 de maio, para, segundo documento oficial da Câmara Municipal de Vilhena, a discussão de alguns temas sociais, levando como foco principal, “A mulher e os desafios de representação política no cenário nacional”.
 
Apesar de não ser ilegal, dois fatos causam estranheza: em relação ao número de participantes no evento, as fotos revelam que um público feminino de cerca de menos de 90 vereadoras dos mais de 5.600 municípios brasileiros, representados por nove mil e cem mulheres com mandato legislativo. Todas usaram dinheiro público, entre diárias e pagamento de despesas de entrada no evento, (650 para Câmaras não filiadas à ABRACAM Mulher - Associação Brasileira de Câmaras Municipais).
 
Outro ponto curioso, foi o tema do evento: segundo o próprio documento oficial de liberação de diárias para as vereadoras, o assunto era a discussão da “inclusão da mulher na representação política no cenário brasileiro”, deixando evidente que os recursos públicos podem ter sido usados para discussões que envolvem principalmente políticas partidárias, tendo como pano de fundo outros temas que incrementaram o evento.
 
Entre translado de Vilhena a Cuiabá (MT), que, segundo um servidor do departamento financeiro da Câmara, teria sido feito com veículo do órgão, passagens aéreas, diárias e o pagamento da entrada no evento, juntas, as três vereadoras gastaram em torno de R$ 21 mil reais.
 
As vereadoras, segundo o mesmo servidor, receberam seis diárias e meia para participarem de um evento que teve duração de três dias.
 
A vereadora Vivian Repessold garantiu, antes de viajar, que a conferência valeria a pena, já que era uma oportunidade de adquirir novos conhecimentos e disse que estaria levando vários ofícios a Brasília para “aproveitar a viagem” e pedir recursos à bancada federal.
 
Interpelada, a vereadora só não explicou porque elas não procuravam participar de eventos transmitidos online, já que o Brasil acelerou o processo de inserção tecnológica à distância durante a pandemia e hoje é possível fazer quase tudo pela internet, inclusive enviar “ofícios” aos gabinetes da bancada federal pedindo recursos.
 
Com base no número de vereadoras de todo o Brasil, que hoje passam de 9 mil, menos de 1% das representantes participaram do evento, que por ser o primeiro e em nível nacional, deveria ter atraído participantes na casa do “milhar”.
 
Ao que os números indicam, os outros 99% das vereadoras brasileiras não foram a Brasília prestigiar o evento, porque não se sujeitaram a gastar dinheiro público para participar de uma palestra cujo tema apontado no documento oficial, era de zero interesse para suas comunidades.
 
Dois vereadores também programaram uma viagem ao Rio de Janeiro para fazerem “cursos de aperfeiçoamento”. O vereador Pedrinho Sanches (Avante) desistiu da viagem em virtude do falecimento do pai, um dia antes do evento. Já o presidente da Câmara, vereador Ronildo Macedo (PSC), também desistiu, mas o motivo não foi informado.