Motorista desligou ambulância para não descarregar a bateria
 
Após ter acesso ao vídeo gravado por uma moradora de Colorado do Oeste para mostrar a situação dramática da mãe, uma mulher de 78 anos encaminhada ontem de Vilhena para Porto Velho, onde deveria fazer um cateterismo, o FOLHA DO SUL ON LINE ligou para a denunciante e ouviu sua versão.
 
Segundo a filha da aposentada Maria Ferreira de Souza, ela sofreu fratura no fêmur ao cair da cama e veio de Colorado do Oeste para Vilhena, onde passou mais de 45 dias internada. Neste período, Maria fez a cirurgia ortopédica, mas sofreu dois infartos.
 
Os médicos a encaminharam para o Hospital de Base, onde ela deveria dar entrada hoje pela manhã, para depois seguir para o hospital Samar, onde o procedimento seria realizado. Mesmo com a regulação, a primeira unidade de saúde se recusou a recebê-la antes do horário.
 
O motorista da ambulância de Vilhena chegou a levar a coloradense ao Samar, mas também não conseguiu deixa-la internada. Para aguardar o horário de entrada no HB, a anciã foi levada para a Casa de Apoio mantida pela prefeitura de Vilhena em Porto Velho. E aí é que veio a desumanidade...
 
Na chegada, segundo o relato de Neuza, a filha da paciente, o motorista alegou que estava cansado e foi dormir. A técnica de enfermagem que também integrava a comitiva fez a mesma coisa, deixando as duas mulheres na ambulância.
 
Neuza conta que a mãe estava suja, numa rua escura, se queixando do forte calor, enquanto ela espantava os mosquitos. O motorista disse que não deixaria a ambulância ligada, o que garantiria ao menos a ventilação, porque a bateria iria arriar, e manteve apenas as portas do veículo abertas.
 
Sem dormir, mas fazendo um grande esforço para manter a mãe viva, Neuza a acompanhou hoje cedo até o hospital Samar, onde as más notícias continuaram a chegar: os médicos não conseguiram desobstruir as três artérias de Maria (duas entupidas e uma com lesão), porque a massa dura que limitava a circulação do sangue era muito resistente.
 
Resultado: o cateterismo foi adiado e os médicos que atendem a idosa tentarão outro procedimento usando a artéria da perna dela. Se não funcionar, cogita-se uma cirurgia de “peito aberto”.
 
A filha diz que a mãe não aguentaria um procedimento tão invasivo, já que, além de diabética e cardíaca, ela também tem pressão alta. Além disso, também precisa tomar bolsas de sangue. O destino da dona de casa que reside em Colorado do Oeste há 45 anos está agora nas mãos de Deus e dos médicos porto-velhenses...
 
SECRETÁRIO DE SAÚDE SE IRRITA
Ao ser confrontado com o episódio, o secretário de Saúde de Vilhena, Wagner Borges, disse que vai instaurar um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar as responsabilidades no caso, e promete punir com rigor quem tiver culpa.
 
“Minha indignação não é apenas como secretário, mas também como ser humano. Uma paciente, ainda mais idosa como a dona Maria, não deveria ter passado por isso. Mas a família pode ter certeza de que os que tiverem culpa serão responsabilizados”, disparou Wagner em entrevista ao site.
 
Segundo o titular da Semus, ele já conversou com o coordenador da Casa de Apoio, que disse não ter sido comunicado sobre nada. O servidor garantiu que, mesmo que o local estivesse lotado de pacientes, se fosse informado daria um jeito para evitar todo o sofrimento da idosa.
 
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