“Não levou um copo d’água, não levou um prato de comida, não passou uma noite dormindo com vocês”
O ambiente da Câmara de Vereadores de Vilhena foi de tensão e de gritaria durante a sessão legislativa desta terça-feira, 06 de dezembro. Dezenas de manifestantes foram parlamento municipal para acompanhar a votação de uma moção de protesto proposta pelo vereador Dhanatan Pagani (Podemos) contra Ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Por diversas vezes, o presidente da Câmara, vereador Samir Ali (Podemos), precisou intervir para assegurar o direito de fala dos vereadores, principalmente das vereadoras Clérida Alves (Avante) e Professora Vivian Repessold (PP) que se manifestaram contrárias à moção proposta.
Na primeira parte de sua fala, a vereadora Professora Vivian afirmou concordar com os manifestantes e disse que, como professora, ela luta pela sua classe e usa como armas grandes atos e mobilização. Na sequência, ela disse: “hoje estamos em um momento de divisor de águas no Brasil. Um momento onde o ato democrático se encerrou nas urnas, onde a vontade maior do povo foi demonstrada através do voto”, neste momento, ela precisou interromper o pronunciamento devido às manifestações hostis dos manifestantes.
“Eu ouvi com respeito quando um representante de vocês veio e gostaria de ter o respeito de ser ouvida”, ponderou Professora Vivian, antes de dar seguimento ao seu raciocínio: “As urnas, até onde sabemos, são a vontade maior do povo. Infelizmente, o resultado não foi o que vocês queriam”, novamente vaias soaram na platéia.
Em meio ao barulho, a vereadora continuou: “Falam tanto em família, no entanto, o governo hoje bloqueou o direito dos filhos de vocês estudarem, estão sabendo? As universidades federais a partir de hoje não têm recurso para terminar o ano letivo. E os filhos de vocês dependem da universidade para ter uma formação. Não estão vendo o futuro?”, questionou, sob novas vaiais.
Após nova intervenção do presidente Samir Ali para assegurar a palavra da vereadora, Vivian se dirigiu ao colega que propôs a moção. “Mais uma vez quero me dirigir ao vereador que fez a moção de aplauso (protesto). É muito fácil pegar o bonde andando, o cavalo passando, em pleno fervor da coisa acontecendo. Não levou um copo d’água, não levou um prato de comida, não passou uma noite dormindo com vocês, não ficou parado no asfalto sem conseguir ir e vir, e vem aqui apresentar uma moção de aplauso (protesto)?. Muito fácil em um momento em que isso engrandece o político”, disse e prosseguiu, sob murmúrios: “Eu não estou discriminando o que vocês estão fazendo, vocês estão lutando por uma causa. Agora, usar este artifício como um pedido de urgência, numa casa aonde nós temos uma nação dividida, isso é realmente uma grande oportunidade de se fazer política”, concluiu.
“Mais uma vez parabenizo vocês pela mobilização que vocês estão fazendo. Espero que o nosso querido governo Bolsonaro devolva os recursos para as universidades federais e que a gente possa realmente fazer valer o que deu as urnas”, finalizou.
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Autor:
Rogério Perucci
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 06 de Dezembro de 2022, às 17:49