“Graças a Deus!” Foi com essas palavras que a mãe do jovem Valdeir Sega Araújo, de 23 anos, reagiu quando a Juíza de Direito Liliane Pegoraro Bilharva leu a sentença do júri que absolveu seu filho da acusação de tentativa de homicídio.
A suposta tentativa de assassinato pelo qual o rapaz foi julgado na manhã de ontem (quinta-feira,10), aconteceu no final da tarde do dia 20 de agosto de 2010, em um comercio na rua 731 do bairro Marcos Freire, em Vilhena.
Segundo narram os autos, naquela tarde Valdeir estaria na mercearia acompanhado de alguns amigos, quando chegou ao local a vítima, Alison Gomes Vieira, também em companhia de colegas. Os dois teriam se desentendido e Valdeir, que estava armado, teria apontado o revólver para Alison e supostamente apertado o gatilho por três vezes, mas o equipamento não disparou.
Os grupos se afastaram e disparos foram efetuados, um deles atingindo um dos homens que estava com Alison, Aurino Vieira Meireles Neto, que não morreu.
Mas, por falta de provas sobre quem fez os disparos, Valdeir foi levado a júri apenas pela tentativa de homicídio contra Alison.
Segundo o inquérito policial, a briga entre os grupos foi motivada pela disputa de área de venda de drogas. Mas, embora tenha sido condenado por envolvimento com o comércio de entorpecentes, Valdeir nega que a confusão tenha sido por causa de pontos de venda de drogas. Ele disse que a rixa entre Alison e ele seria por causa de mulher.
A Promotoria discordou e, com base no depoimento de testemunhas, defendeu a tese de tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe. O promotor João Paulo Lopes defendeu a qualificadora alegando que o confronto entre Valdeir e Alison era por poder, pelo controle de uma determinada área para a venda de drogas.
Já a defesa, feita pelo defensor público George Barreto Filho, trabalhou a falta de provas materiais e questionou alguns pontos do inquérito. “A arma do crime não foi periciada, não existe um laudo que diga que no revólver usado por Valdeir havia três munições picotadas”, argumentou o defensor.
O defensor também questionou se em meio à confusão da briga alguém poderia afirmar, com certeza, quantas vezes Valdeir puxou o gatilho.
E, por fim, questionou sobre a qualificadora defendida pela acusação. “Se eram facções disputando uma área para comércio de drogas, por que não foram todos presos?”, indagou.
Na mesma linha se seguiram replica e tréplica. Ao final, o júri formado por seis mulheres e apenas um homem entendeu que não havia provas suficientes para condenar o réu, e optaram pela absolvição, para alívio da senhora sentada numa das cadeiras do plenário.
Aos 23 anos, Valdeir já foi preso diversas vezes, por crimes que vão de assalto a mão armada a tráfico de drogas.
Antes de retornar ao Centro de Ressocialização Cone Sul, o rapaz teve a oportunidade de abraçar a mãe que tanto orou por ele durante o julgamento.