Em junho do ano passado, quando estava no auge a discussão sobre a chamada “cura gay” proposta pelo pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC), um jovem vilhenense foi entrevistado pelo jornal FOLHA DO SUL e disse que não tinha nada contra a terapia indicada para quem quisesse se livrar do “problema”. Na verdade, o próprio autor da idéia nega que seja cura e sim “ajuda” para os interessados em voltar a ser “homens”.
No ocasião, o entrevistado tinha 18 anos e escondia dos pais a homossexualidade. Hoje, já tendo assumido sua condição para a família e os amigos, o rapaz revê sua opinião: “Não dá para curar o que não é doença”.
Funcionário de uma empresa funerária, o jovem Uiri Nelsom Bohrer, hoje com 19 anos, porém, vai contra estudiosos, que dizem que a homossexualidade é uma “orientação”, que independe de fatores externos. Para o entrevistado, trata-se de um “distúrbio de comportamento”.
Ele diz que na infância era “hominho”, mas depois que se relacionou com uma pessoa do mesmo sexo aos 13 anos (o que é crime, tipificado no Código Penal), acabou “gostando” e não parou mais de sair com homens.
O garoto tem uma opinião polêmica sobre as causas da homossexualidade: “Muitos que crescem sem pai acabam virando. O jeito que algumas mães tratam os filhos também contribui”, argumenta, ressalvando que sempre recebeu tratamento de “filho normal”.
“No meu caso, eu simplesmente escolhi. Vai quem quer e fica quem quer”, revela, acrescentando que não enfrenta preconceito por “sair do armário”.
Perguntado se queria que sua identidade fosse preservada, o rapaz desabafou: “Passei muito tempo ‘me escondendo’. Agora, que decidi revelar quem realmente sou, não faz sentido falar anonimamente”.